Dida Sampaio/ Estadão
Dida Sampaio/ Estadão

Fed anuncia acordo temporário com BC do Brasil para injeção de dólares

Ação visa promover liquidez em dólares em até US$ 60 bilhões para os BCs do Brasil, Austrália, Coreia, México, Cingapura e Suécia

Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

19 de março de 2020 | 11h41
Atualizado 19 de março de 2020 | 15h31

BRASÍLIA - O Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) anunciou nesta quinta-feira, 19, que estabeleceu acordos temporários com outros bancos centrais para dar liquidez em dólares, por meio de linhas de swap. Entre eles, está o Banco Central (BC) brasileiro.

"Esses mecanismos", aponta o Fed em comunicado, "são projetados para ajudar a diminuir as tensões nos mercados globais de financiamento em dólares, mitigando os efeitos dessas tensões no fornecimento de crédito para famílias e empresas, tanto no mercado interno quanto no exterior".

A ação visa promover liquidez em dólares em até US$ 60 bilhões para os BCs do Brasil, Austrália, Coreia, México, Cingapura e Suécia. Já para os bancos centrais da Dinamarca, Noruega e Nova Zelândia, o montante poderá chegar a US$ 30 bilhões para cada um.

Esses acordos de liquidez em dólares dos EUA permanecerão em vigor por pelo menos seis meses. “A linha de liquidez soma-se ao conjunto de instrumentos disponíveis do BC para lidar com a alta volatilidade dos mercados em decorrência da pandemia da Covid-19”, afirmou o BC, em nota divulgada.

A medida significa na prática um reforço às reservas internacionais do Brasil, que estavam em US$ 353,622 bilhões na última terça-feira, 17.

O BC já injetou US$ 22,355 bilhões em recursos novos no mercado do câmbio apenas em março. O BC vendeu US$ 8,355 bilhões à vista aos agentes financeiros neste mês, “queimando” o mesmo montante em reservas internacionais.

Intercalado às vendas de dólares à vista, a autoridade monetária negociou outros US$ 6 bilhões neste mês em novas operações de swap cambial, que equivalem a uma venda de dólares no mercado futuro. O BC ainda negociou US$ 8 bilhões de recursos novos em leilões de linha com recompra.

Em 29 de outubro de 2008, no auge na crise financeira global, o Fed disponibilizou uma linha de swap de US$ 30 bilhões para o Banco Central brasileiro, no mesmo anúncio feito para os BCs de México, Coreia do Sul, e Singapura.

 A autoridade monetária brasileira não chegou a utilizar o instrumento naquela ocasião. Na data do anúncio do Fed em 2008, as reservas internacionais do País estavam em US$ 197,478 bilhões.

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