Fed corta juros dos EUA para 1%, mais baixo desde 2004

Decisão foi tomada por unanimidade; autoridades deixam a porta aberta para mais cortes na taxa

Agência Estado,

29 de outubro de 2008 | 16h18

O Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) cortou a taxa básica de juros dos Estados Unidos em 0,50 ponto porcentual nesta quarta-feira, 29, para 1% ao ano, o nível mais baixo desde entre junho de 2003 e junho de 2004.   Nos mercados, a venda de ações após a confirmação do corte de juros nos Estados Unidos levou as bolsas de Nova York a oscilarem muito nesta tarde. Às 16h35, o Dow Jones cedia a 0,62%, a 9.009,12; o S&P-500 caía 0,58%, aos 935,06 pontos; e o Nasdaq subia 0,03%, a 1.649,90 pontos.     Veja também: Veja os reflexos da crise financeira em todo o mundo Veja os primeiros indicadores da crise financeira no Brasil Lições de 29 Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise Dicionário da crise    Seguindo o movimento no mercado norte-americano, a Bovespa também reduziu a alta. No mesmo horário, o principal índice da Bolsa subia 2,57%, aos 31.243,99 pontos. Pouco antes do anúncio da decisão, o índice local avançava 5,20%, aos 35.123,82 pontos. "Claro que há o movimento típico de comprar na expectativa e realizar no fato", lembrou um operador.   No mercado cambial doméstico, que já estava quase fechando, o impacto foi marginal - a cotação passou do dólar R$ 2,142 (-1,97%) para 2,140 (-2,06) - mesma cotação do fechamento.   A taxa - chamada de Fed Funds - representa os títulos que lastreiam os empréstimos interbancários no overnight. As autoridades do Fed, em seu comunicado, deixaram a porta aberta para cortes adicionais, a níveis não vistos em meio século, colocando as taxas no rumo antes inimaginável do juro zero.     O comitê de mercado aberto do Fed votou por unanimidade pela redução do juro. O Fed também reduziu a taxa de redesconto, que cobra nos empréstimos diretos aos bancos, 0,5 ponto para 1,25%. "O ritmo da atividade econômica parece ter desacelerado marcadamente, devido de forma importante a um declínio nos gastos do consumidor", diz o comunicado, enquanto a crise financeira adicionar limitações aos gastos, acrescenta.   Leia abaixo a íntegra do comunicado:   "O Comitê Federal de Mercado Aberto decidiu hoje reduzir sua meta para a taxa dos Federal Funds em 50 pontos-base, para 1.   "O ritmo da atividade econômica parece ter-se desacelerado marcadamente, devido, de modo importante, a um declínio nos gastos dos consumidores. O investimento das empresas em equipamento e a produção industrial enfraqueceram nos meses recentes e a desaceleração da atividade econômica em muitas economias estrangeiras está restringindo a perspectiva para as exportações dos EUA. Além disso, a intensificação da turbulência nos mercados financeiros deverá exercer uma restrição adicional dos gastos, em parte por reduzir ainda mais a capacidade das famílias e das empresas de obter crédito.   "À luz dos declínios nos preços da energia e de outras commodities e da perspectiva mais fraca para a atividade econômica, o Comitê espera que a inflação se modere nos próximos trimestres, para níveis consistentes com a estabilidade dos preços.   "Medidas de política recentes, inclusive a redução de taxa adotada hoje, cortes coordenados de taxas de juro por bancos centrais, medidas extraordinárias para a liquidez e medidas oficiais para fortalecer os sistemas financeiros deverão ajudar, ao longo do tempo, a melhorar as condições do crédito e a promover uma volta a um crescimento econômico moderado. Apesar disso, os riscos negativos para o crescimento persistem. O Comitê vai monitorar os acontecimentos econômicos e financeiros com cuidado e vai agir à medida que seja necessário para promover o crescimento econômico sustentável e a estabilidade dos preços.   "Votaram a favor da decisão de política monetária: Ben S. Bernanke, chairman; Timothy F. Geithner, vice-chairman; Elizabeth A. Duke; Richard W. Fisher; Donald L. Kohn; Randall S. Kroszner; Sandra Pianalto; Charles I. Plosser; Gary H. Stern; e Kevin M. Warsh.   "Em decisão relacionada, o Conselho de Diretores aprovou por unanimidade uma redução de 50 pontos-base na taxa de redesconto, para 1,25%. Ao tomar essa decisão, o Conselho aprovou pedidos submetidos pelos Conselhos de Diretores dos Bancos da Reserva Federal de Boston, Nova York, Cleveland e San Francisco." 

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