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Fed: corte no juro básico traz algumas surpresas

A decisão do Banco Central dos Estados Unidos (Fed) de reduzir o juro básico da economia em 0,5 ponto porcentual - reduzindo a taxa de 4,5% para 4,0% ao ano - não surpreendeu os analistas. Esse é o nível mais baixo da taxa em sete anos.A novidade ficou por conta do comunicado oficial da instituição, que mantém a tendência de queda nos juros, demonstrando a permanência da preocupação com o ritmo da desaceleração da economia norte-americana. Pelo relatório, o investimento em bens de capital - máquinas e equipamentos, por exemplo - ainda está em declínio. A demora na retomada do crescimento, aliada à redução da poupança da população por conta da queda no valor das ações e o risco de um crescimento menor da economia mundial, são os motivos para as incertezas em relação ao ritmo do desaquecimento da economia norte-americana. Contrariando a expectativa de muitos analistas, a redução decidida hoje pode não ser a última. Márcio Verri, sócio-gerente da BankBoston Asset Management, explica que a decisão tem dois aspectos. Por um lado, com juros mais baixos nos Estados Unidos, os países de economias emergentes, como o Brasil, têm chances maiores de atrair capital estrangeiro. Porém, a queda na atividade econômica norte-americana reduz o crescimento da economia mundial. O economista-chefe do Lloyds TSB, Odair Abate, afirma que o aspecto positivo tem peso maior na economia brasileira nesse momento. "Atrair dólares é mais importante agora, pois a situação de incertezas em relação à Argentina e à crise de energia no Brasil tendem a inibir o fluxo de moeda estrangeira para o mercado interno", explica.Alta do dólar preocupaVerri afirma que essas incertezas já vêm provocando uma alta do dólar, que chegou hoje ao patamar de R$ 2,3430 na ponta de venda do comercial. Além da diminuição da entrada de recursos, também os investidores no mercado interno aumentam a demanda por dólares como forma de proteção para seus recursos (hedge). A elevação do dólar pode provocar uma alta da inflação, pois encarece os produtos e matérias-primas importados, inclusive a gasolina. Além disso, produtos exportáveis, que têm preços fixados em dólar, também sofrem tendência de alta no mercado interno. Para diminuir esse risco, o Banco Central (BC) no Brasil vem elevando a taxa básica de juros - Selic. Nas duas últimas reuniões, em março e abril, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa em 1 ponto porcentual, sendo 0,5 ponto porcentual em cada reunião.De acordo com Abate, a redução dos juros nos Estados Unidos abriria espaço para a volta da tendência de redução de juros no Brasil ou, pelo menos, a manutenção das taxas. Mesmo assim, segundo ele, a expectativa é de que o Comitê decida por uma nova elevação dos juros na reunião da próxima semana - 22 e 23 de maio. "Esperamos uma alta de 0,25 ponto porcentual, mas isso pode mudar até a próxima semana". Copom atento ao problema de energiaAbate lembra que o Comitê também estará atento ao problema de falta de energia no Brasil, o que, segundo ele, é a maior preocupação dos investidores nesse momento. A falta de energia também pode pressionar os índices de inflação em função da diminuição da produção e de uma possível alta nas tarifas de energia. Por outro lado, o economista do Lloyds destaca que as conseqüências de um racionamento de energia ainda são muito incertas. "Pode haver uma contração na demanda, o que traria um efeito contrário para o problema, ou seja, a inflação não ficaria pressionada e, dessa forma, não haveria alta de juros por esse motivo", avalia. Nesse caso, porém, o crescimento econômico seria mais prejudicado.

Agencia Estado,

15 de maio de 2001 | 18h54

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