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Fed decide hoje o rumo da crise

O Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) faz hoje a reunião mais importante dos últimos anos. Analistas e investidores estão ansiosos para saber até que ponto a instituição está disposta a ajudar o mercado financeiro a enfrentar a crise deflagrada no fim de julho. Essa disposição poderá ser medida às 15h15 (horário de Brasília), quando o Fed divulgará a taxa básica de juros que vai vigorar até o encontro seguinte, nos dias 30 e 31 de outubro.A maioria dos especialistas acredita que o BC americano reduzirá o juro em 0,25 ponto porcentual, para 5% ao ano. Uma queda de 0,5 ponto não está descartada, mas é menos provável.Os que apostam em 0,25 ponto argumentam que, embora a economia americana esteja em processo de desaceleração, a inflação permanece acima do nível desejado pelo Fed - cerca de 2% ao ano no acumulado em 12 meses. Dizem, também, que o BC americano não pode correr o chamado risco moral, ou seja, não deve diminuir substancialmente o juro para salvar investidores que fizeram apostas arriscadas demais.Os que defendem 0,5 ponto afirmam que o risco de a economia americana entrar em recessão cresceu. Observam que a crise financeira, que atingiu em cheio o mercado de crédito, está longe do fim. Assim, poderia provocar ainda mais estragos na economia real.O segundo grupo costuma evocar o ex-presidente do Fed Alan Greenspan que derrubou a taxa básica de juros em vários momentos durante os quase 20 anos em que esteve à frente da instituição, quando via riscos para a saúde da economia. Ontem, porém, em entrevista ao jornal britânico Financial Times, ele reconheceu que a situação, hoje, é bem diferente da de sua época.''''Nós não estávamos preocupados com o ressurgimento da inflação, mas agora temos de estar'''', afirmou. Por isso, recomendou cautela à atual diretoria do Fed, liderada por Ben Bernanke.Al Goldman, chefe de mercados da corretora A.G. Edwards, diz que a economia em geral está bem. ''''Exceto se se pensa que o mercado de crédito vai piorar ainda mais. Por isso, a espada de Dâmocles pende sobre o mercado e a economia.''''Kenneth Rogoff, ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI) e atual professor da Universidade Harvard, defende um corte de 0,5 ponto. ''''O Fed tem de tentar cortar o juro agressivamente, mesmo se isso significar que alguns especuladores terão os problemas aliviados'''', disse. ''''Provavelmente, este é o momento mais incerto que a economia global enfrenta em mais de uma década.''''Ontem, à espera do Fed, os mercados operaram sem tendência definida. O Índice Dow Jones caiu 0,29%, a Nasdaq, 0,79%, e o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa), 0,60%.

Nalu Fernandes, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2018 | 00h00

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