Fed decide manter taxa de juros em 0,25%

Banco central americano vai continuar com a recompra de títulos públicos até junho e também estima um crescimento de 3,3% para o PIB dos EUA

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE/ WASHINGTON

O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) decidiu manter a taxa básica de juros entre zero e 0,25%, como ocorre desde dezembro de 2008, e continuar a recompra de títulos públicos até junho, como havia sido programado.

Ao final dos dois dias de reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), o Fed ainda puxou para 3,3% sua projeção máxima de crescimento da economia americana em 2011, estimada em janeiro em 3,9%. Em uma entrevista inédita à imprensa, o presidente da instituição, Ben Bernanke, vinculou essas decisões ao desempenho moderado da atividade econômica no primeiro trimestre.

"A nova estimativa de crescimento em 2011, em particular, reflete o ritmo mais lento do que o previsto para o primeiro trimestre. Eu diria que a maior parte da desaceleração no período é vista como transitória", afirmou Bernanke, ao romper a tradição de 98 anos de silêncio da autoridade monetária. Em nome da prestação de contas e da transparência, o Fed decidiu organizar entrevistas à imprensa ao final de cada reunião do Fomc.

Segundo o comunicado oficial, apesar da melhoria das condições do mercado de trabalho e dos investimentos em bens de capital e em software, o setor da construção civil continua deprimido. A atividade econômica no primeiro trimestre cresceu em torno de 2%, enquanto se previa 3%. Apesar das quedas sucessivas na taxa de desemprego, o porcentual de 8,8% registrado em março foi tido por Bernanke como elevado demais em comparação com os "níveis normais". Para este ano, o Fed apresentou previsões melhoradas. Era de 8,8% a 9,0%, em janeiro, e agora passou a 8,4% a 8,7%.

Nesse contexto, não seria recomendável o aumento das taxas de juros nem a suspensão do chamado QE2 (segundo afrouxo quantitativo), mecanismo de injeção de até US$ 600 bilhões na economia neste semestre por meio da recompra de títulos do Tesouro americano. Pressionada pela "elevação significativa" dos preços das commodities e pela alta da cotação do petróleo, a inflação despontou no período. Porém, na avaliação do Fed, as expectativas de longo prazo ainda estão "estáveis", e as medidas para o controle da inflação subjacente estão em curso. Portanto, não havia razão para os juros de curto prazo subirem.

"O comitê pretende promover o máximo de emprego e a estabilidade de preços", ressaltou o texto. "Vamos olhar cuidadosamente a inflação e também a expectativa de inflação", insistiu Bernanke.

Para o presidente do Fed, o QE2 não chegou a ser uma "panaceia". Porém, foi "efetivo" e contribuiu para "reduzir a volatilidade". Sua extinção a partir de julho, como programada em novembro, "não deve afetar o mercado". Entre o começo e o final de sua primeira entrevista, o índice Dow Jones aumentou 0,3 ponto para 0,73%, e a cotação do dólar caiu.

Melhora

O presidente do Fed, Ben Bernanke, prevê que a taxa de desemprego fique entre 8,4% e 8,7% nos Estados Unidos este ano. A previsão anterior variava de 8,8% a 9,0%.

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