Fed deve anunciar redução de estímulos nesta quarta

O BC dos EUA também deve reduzir suas projeções de expansão do PIB do país em 2013

Altamiro Silva Júnior, correspondente da Agência Estado,

17 de setembro de 2013 | 15h52

NOVA YORK - A política monetária norte-americana, que vem ditando os preços nos mercados financeiros mundiais desde maio, pode ter mudanças significativas na reunião dos dirigentes do Federal Reserve que começou nesta terça-feira e termina na quarta-feira. Os economistas esperam redução no ritmo mensal de compras de ativos e ainda que o banco central reduza suas projeções de expansão para o Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos em 2013.

A reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), formado por 12 dirigente do Fed, é a mais aguardada dos últimos meses. O encontro ocorre em meio às discussões em Washington e em Wall Street sobre quem será o novo comandante do banco central norte-americano. Quem for escolhido deve tomar posse no início de 2014 e vai ter que conduzir a retirada dos estímulos monetários sem precedentes adotados nos EUA desde a crise financeira mundial de 2008.

Os economistas consultados pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, esperam que seja anunciado amanhã, às 15h de Brasília, quando termina o encontro do Fomc, uma redução de cerca de US$ 10 bilhões a US$ 15 bilhões no ritmo mensal de compras de ativos, hoje em US$ 85 bilhões. A expectativa é de que haja um corte mais ou menos equilibrado nas compras de títulos públicos de longo prazo e ativos lastreados em hipotecas (chamados de MBS pelo mercado). "A espera acabou. Finalmente chegou a hora tão esperada", destaca a economista do TD Bank, Ksenia Bushmeneva.

Além da redução do ritmo de aquisição de ativos, também se espera que o comunicado divulgado logo após a reunião enfatize que a retirada dos estímulos será feita em ritmo gradual e que os juros básicos dos EUA ainda vão continuar em um nível "excepcionalmente baixo" por mais algum tempo. As taxas atuais estão entre zero e 0,25% ao ano. O economista-chefe do RBC Capital Markets, Tom Porcelli, espera que os juros só voltem a subir em meados de 2015. Para as compras de ativos, ele projeta redução de US$ 10 bilhões a partir de amanhã, com o término total desta estratégia em abril do ano que vem.

O economista da ITG Investment Research, Steve Blitz, avalia que a atividade econômica dos EUA está se recuperando, mas não em ritmo acelerado que justifique mudanças mais radicais na política monetária. Por isso, a expectativa é de que tudo seja feito de forma gradual, diz ele. "Os últimos números mostram a incapacidade de a economia se recuperar no ritmo esperado pelos dirigentes do Fed."

Por esse motivo, Blitz e outros economistas, com os do Barclays, Deutsche Bank, TD Bank e do Bank of America Merrill Lynch, esperam que o Fed reduza a projeção de crescimento para o PIB dos Estados Unidos em 2013. A estimativa atual é de expansão de 2,3% a 2,6%, mais otimista até que o previsto pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que rebaixou suas estimativas em julho e vê os EUA crescendo 1,7% este ano. O BoFA, por exemplo, estima alta de 2% no PIB este ano.

Além disso, o Fed deve divulgar pela primeira vez as projeções para a economia em 2016 e ainda pode mudar os gatilhos da taxa de desemprego e inflação para a política monetária. Neste último caso, porém, não há um consenso entre os economistas de que mudanças vão ser anunciadas amanhã.

Emprego. No caso do desemprego, o presidente do Fed, Ben Bernanke, sinalizou que o ritmo de aquisição de ativos seria interrompido quando a taxa chegasse ao nível de 7%. Além disso, o banco central já havia ressaltado que os juros poderiam voltar a subir quando ela atingisse o nível de 6,5%. O economista do Bank of America Merrill Lynch, Michael Hanson, avalia em relatório a clientes que, dado a queda relativamente rápida da taxa de desemprego, que chegou a 7,3% em agosto, o gatilho pode ser mudado amanhã, embora ele também ache possível que o Fed possa aguardar mais algum tempo antes de anunciar mudanças.

A ata da reunião do Fomc de julho mostrou que não há consenso nem entre os dirigentes do Fed sobre este tópico, destaca Porcelli, do RBC. Nesse cenário, o economista do Deutsche Bank, Joseph LaVorga, acredita que o gatilho não deve ser alterado amanhã. Um dos motivos é que, na entrevista coletiva depois da reunião, Bernanke pode enfatizar a flexibilidade dos números de desemprego e inflação, que seriam apenas indicadores de mudanças da política monetária naquele nível e não desencadeadores automáticos de mudanças, destaca em um e-mail a clientes.

Sucessão. A reunião desta semana ocorre em meio a uma mudança inesperada na corrida pela presidência do Fed. O ex-secretário do Tesouro dos EUA Lawrence Summers, que já foi consultor econômico de Barack Obama, retirou sua candidatura. O economista do BoFA acha que esse fato abre espaço para a vice-presidente do Fed, Janet Yellen, assumir o comando do banco central, sobretudo porque ela tem apoio do Senado democrata, que rejeitava Summers.

Considerando que a dirigente é próxima a Bernanke e apoia a atual política monetária ultraacomodatícia, se Yellen for confirmada, a primeira leitura é que a redução dos estímulos monetários vai seguir em ritmo gradual, com os juros voltando a subir em meados de 2015. No hipótese de que Summers fosse o escolhido para dirigir o Fed, Hanson destaca que a expectativa era de um aumento dos juros mais cedo, talvez já em 2014, e o mercado já vinha embutindo isso no preço dos ativos. Agora, esses preços devem passar por correções, destaca.

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