NICHOLAS KAMM/AFP
NICHOLAS KAMM/AFP

Fed deve elevar juros após um ano sem altas

Decisão do Banco Central dos EUA hoje é dada como certa, e atenção do mercado se voltará para comunicado após a reunião

Altamiro Silva Júnior, correspondente, O Estado de S.Paulo

13 Dezembro 2016 | 22h45

NOVA YORK - Um ano depois do último aumento de juros nos Estados Unidos, em dezembro de 2015, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) deve voltar a subir as taxas na reunião de política monetária que termina nesta quarta-feira, 14. Com a elevação dada como certa por Wall Street, o foco de analistas e investidores é sobre o que o BC vai sinalizar para 2017 e para os próximos anos, que vão marcar a gestão do novo presidente do país, o republicano Donald Trump.

A reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), que reúne os 17 principais dirigentes do Fed, começou ontem e hoje termina com a divulgação, no fim da tarde, de um comunicado e novas projeções para indicadores como taxa de desemprego, juros e Produto Interno Bruto (PIB).

A presidente do Fed, Janet Yellen, dará em seguida uma entrevista à imprensa. Será uma das primeiras vezes que Yellen falará em público desde que Trump, que a criticou na campanha, ganhou as eleições.

Mercado. As apostas dos investidores na Bolsa de Chicago é de 95% de probabilidade de os juros subirem esta semana. “A alta amanhã (hoje) será uma mera formalidade, pois já é amplamente esperada e precificada”, destaca o economista-chefe do Royal Bank of Canada, Tom Porcelli. O maior interesse de Wall Street é ver os sinais que o Fed dará para a política monetária em 2017 e nos próximos anos, além das declarações de Yellen.

As expectativas de bancos como JP Morgan, Goldman Sachs, Morgan Stanley, Wells Fargo e Barclays é que o Fed eleve duas vezes os juros em 2017. Mas tudo vai depender de como serão as políticas de Trump, que prometeu cortar impostos e aumentar gastos públicos, ressalta Michele Mayer, do BoFA.

Essa política pode gerar inflação e forçar o Fed a subir mais as taxas.

Cenário. Desde que o Fomc soltou as últimas previsões econômicas e Yellen falou com a imprensa, na reunião de setembro, o cenário mudou consideravelmente nos EUA, afirmou o economista-chefe da gestora Northern Trust em Chicago, Carl Tannenbaum. Além da inesperada vitória de Trump, indicadores econômicos do quarto trimestre mostram uma atividade nos EUA mais forte do que o inicialmente previsto, ressalta ele. Dados do Fed de Atlanta apontam a economia americana crescendo 2,6%. O economista projeta duas altas de juros no ano que vem, mas assim como alguns de seus colegas, vê a possibilidade de mais aumentos.

No caso de Yellen, Porcelli, do Royal Bank of Canada, prevê que a dirigente vai mostrar um “otimismo cauteloso” com o cenário econômico, ao contrário de Wall Street, que está com expectativas altas em relação à política de Trump e levando as bolsas para sucessivos recordes.

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