FED dita rumo dos mercados hoje

Os mercados abrem hoje na expectativa da decisão do banco central norte-americano (FED) sobre o novo patamar das taxas de juros daquele país, que deve ser anunciada ainda hoje. A grande maioria dos operadores aposta na manutenção do atual nível de 6,5% ao ano, que provou ser suficiente, ao menos até agora, para refrear o crescimento - considerado excessivo pelo governo - da economia dos EUA. O ambiente geral dos demais mercados internacionais é de calma.O Comitê de Política Monetária (Copom) divulgou, pela manhã, a ata da reunião da semana passada, que reduziu a taxa de juros básica Selic em um ponto porcentual, para 17,5% ao ano. Na ata, estão as análises do governo brasileiro em relação à conjuntura econômica interna e externa, que justificam a política monetária. O resultado é que, à exceção da elevação dos preços do petróleo, que provou ser duradoura, e em patamares elevados, todos os outros indicadores de recuperação sustentável - com inflação baixa - da economia brasileira e de redução suave da atividade econômica americana são positivos. Juros e dólar em compasso de espera Com isso, o mercado de juros abre em compasso de espera, pois os operadores devem aguardar a divulgação do resultado da reunião do FED para reduzir ainda mais as projeções de juro no mercado de futuros. A expectativa dos operadores é que, se a decisão do FED sair dentro do esperado, abre-se espaço para novo corte da Selic. Hoje, o BC não atuou no mercado à vista. O mesmo se dá com o mercado de câmbio. Uma elevação dos juros americanos, por menor que seja, pegaria os investidores de surpresa e elevaria o valor da moeda norte-americana frente ao real, já que aplicadores migrariam dos títulos brasileiros para os americanos. Afinal, é impossível para o Brasil concorrer com o risco praticamente zero dos títulos dos EUA, principalmente, se eles pagarem bons rendimentos. Ou seja, uma alta ainda maior do juro norte-americano afetaria novamente o fluxo de recursos mundial prejudicando o Brasil, como ocorreu em maio. Até ser conhecida a decisão do FED, no entanto, o mercado deve operar tranqüilo. Bolsas menos afetadas por Telesp e Tele Sudeste Celular Especialistas do mercado de ações acreditam que o preço dos papéis da Telesp e Tele Sudeste Celular, em forte queda desde segunda-feira, ditando o comportamento da Bovespa, já chegou ao patamar desejado pelo mercado. Isso sugere que para hoje estes papéis não devam cair na mesma intensidade apurada nos dois últimos pregões. Além disso, os papéis da Telefónica no exterior estão em alta, frente a declarações do presidente da empresa, Juan Villanova, de que não renunciará ao cargo. Ele está sendo investigado pela suspeita de usar informações privilegiadas para beneficiar-se no mercado acionário. Em função disso, a Bovespa abriu hoje melhor que ontem, registrando, neste momento, alta de quase 3%. Com relação ao mercado externo, ele só influenciará os negócios por aqui se o FED elevar a taxa básica de juros dos EUA, o que desestimularia as aplicações nas bolsas brasileiras.

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