Fed e embate político da Câmara ajustam juros

O mercado de juros também sofreu um ajuste nesta quinta-feira, atingindo pelas análises sobre a agressividade do Fed ao reduzir os juros norte-americanos (o que poderia indicar uma desaceleração da economia maior do que a imaginada) e, em segunda instância, pelo embate político entre Aécio Neves (PSDB) e Inocêncio de Oliveira (PFL) na disputa pela Presidência da Câmara.Estes dois fatores acabaram servindo como justificativa para um movimento de realização de lucros, esperado desde ontem. Na BM&F, o reflexo maior ocorreu sobre o contrato de DI futuro para 1º de outubro, que já tinha se tornado o mais negociado na bolsa, mas ainda buscava um nível de prêmio mais adequado. Este contrato fechou o dia projetando taxa de 15,37% ao ano, de hoje ao vencimento, ante 15,16% de ontem. O DI julho (segundo mais negociado) e o DI abril (terceiro) mostraram oscilação mais fraca. O contrato projeta agora 15,13%, ante 15,00% de ontem e o abril, 15,01%, ante 14,98%. O contrato de um ano (DI a termo) também teve sua taxa elevada, para 15,68%, ante 15,43%.As análises mais pessimistas sobre a velocidade da redução dos juros norte-americanos por parte do Fed acabaram por minar o consenso anterior no mercado doméstico de que a Selic poderia também ser reduzida em 0,50 ponto porcentual. Cresceu uma corrente de opinião mais cautelosa, ponderando que talvez o Comitê de Política Monetária (Copom) reduza o juro básico da economia em apenas 0,25 ponto, diante da possibilidade de queda no fluxo de investimento direto no Brasil, em razão da desaceleração norte-americana. Apareceram, inclusive, os pessimistas, apostando que a Selic pode ser mantida no nível em que está, 15,25% ao ano.O embate Aécio versus Inocêncio pela conquista dos votos do PT para a eleição da Câmara - no qual o primeiro se disse um "opositor" à privatização do setor elétrico e o segundo defendeu a abertura de uma CPI da Privatização - assusta mais os investidores estrangeiros do que os domésticos, afirmaram algumas fontes. "Quem conhece Brasil sabe que isso tem data para acabar, 14 de fevereiro (dia da eleição para a Presidência da Câmara)", afirmou um experiente executivo de open market.Outros ponderam que a base de sustentação do Governo Fernando Henrique continua dando mostras de desgaste e este seria outro indício. "Mas os juros não vão subir porque o PFL está brigando", é o contra-argumento de outro executivo. O desenrolar da briga merecerá atenção do mercado, que há muito tempo não voltava os olhos para o Congresso.

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