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Fed fabrica dólares para matar a recessão

O banco central americano veio com tudo na semana passada. Deu uma tremenda pancada na recessão usando a sua mais poderosa arma, a emissão maciça de dólares para reanimar a economia que definha, envenenada mortalmente pela crise financeira. Agora é para valer. Ou tudo, ou nada. Mesmo depois que a recessão recuar, o Fed vai continuar imprimindo dólares até que ela esteja definitivamente afastada. Mas quantos dólares ele poderá fabricar para jogar no mercado? Pode ser agora US$ 1 trilhão, mas se não for suficiente, podem ser mais, 2, 3...É isso o que Bernanke deu a entender. A fábrica de dólares pode continuar rodando dia e noite, por quanto tempo for necessário. Ou isso, ou a economia americana e a mundial despencam na depressão que já se insinua.JUROS JÁ NÃO FUNCIONAMA taxa de juro quase zero não vale mais. O juro real já é negativo. Não dá para baixar mais, e mesmo se fosse possível, não adiantaria. Está provado que em crises dessas proporções, a política monetária não funciona. A saída é dinheiro, muito dinheiro, e incentivos fiscais para que o mercado volte a funcionar e as pessoas a comprar. NÃO É HORA DE TER MEDOMas não é arriscado e perigoso ficar aí jogando dinheiro aos borbotões no sistema financeiro e no mercado? O sempre comedido Bernanke mudou de posição. Na sexta-feira surpreendeu ao afirmar: "Não podemos deixar que o medo oriente nossas decisões." Ou seja, vamos fazer o que nos resta fazer. Mesmo perigoso, temos de jogar mais dinheiro na economia pois só assim ela pode sai da inanição. Dólares, o alimento salvador quando todos os demais fracassam já que o organismo, envenenado pela crise financeira, estava fraco demais para absorvê-los e reagir. MAS, QUAIS OS RISCOS?Em curto prazo, nenhum. Depois, a inflação. Mas o veneno que pôs de joelhos a economia, derrubou a inflação também. Hoje, o Fed, os governos e bancos centrais estão mais preocupados com a deflação, uma queda constante e prolongada de preços que se autossustenta e leva ao adiamento das compras na expectativa que eles baixem mais. Suas consequências sobre a economia, o sistema produtivo, são terríveis.MAIS INFLAÇÃO, POR FAVOR...No fundo, diziam comentaristas em Wall Street, "o Fed está pedindo um pouco de inflação..." Ela vem despencando mês a mês simplesmente porque a demanda recua. A estratégia do Fed é reanimá-la. "A inflação pode ser uma questão, mas a preocupação imediata é a perspectiva de uma espiral deflacionária de preços, salários e da atividade econômica", disse à Reuters Martin Mitchell, da Stifel Nicolaus, que opera com títulos do governo."A inflação não está e não estará na agenda por pelo menos meses ou dois anos. Ela é o jogo do futuro. Exatamente agora eles (no Fed) estão lutando contra o ambiente deflacionário."BRASIL NÃO PRECISAMesmo afetados seriamente pela crise, ainda somos um caso a parte. O BC precisa reduzir ainda mais os juros e com maior frequência, a atividade interna recua, mas não desabou. Não precisamos, de forma alguma, fabricar reais para jogar na economia. Temos uma inflação ainda relativamente alta, mas não há sinais de evolução. O câmbio não ajuda, mas ainda não atrapalha muito. As exportações são vítimas de falta de financiamento externo e da demanda em queda no mercado mundial. Isso ainda não foi atacado com mais decisão e firmeza pelo governo. POR FAVOR, NÃO ACOMODEMTudo isso é bom e ruim ao mesmo tempo. Bom, porque não fomos de todo contaminados e resistimos bem; ruim porque parece estar levando o governo a uma espécie de acomodação perigosa decorrente da falta de pressões imediatas.Há nos últimos meses contradições e pouco realismo na equipe econômica. Os planos e programas para sustentar um mínimo de crescimento estão desarvorados. Desde o ano passado se fala em um novo pacote de medidas que não veio. Falta entendimento quanto ao pacote habitacional que, em Brasília, ninguém conseguiu dimensionar ou identificar fontes de recursos. Sozinho pode ajudar mas não muito. O ministro do Trabalho pensa que negar a existência de desemprego acaba com ele, que é o maior desafio que enfrentamos hoje. Não se acanha em negar a realidade. E sem emprego não há saída para uma economia onde o mercado interno representa mais de 60% do PIB e é um dos últimos caminhos para fugir da recessão.A coluna afirma de novo: não estamos tão mal, mas o cenário externo mundial diz que podemos piorar. E rapidamente.Basta ver que o próprio governo - perdão, o ministro do Planejamento - prevê um crescimento de apenas 2% neste ano. E ele está sendo um senhor otimista.*E mail: at@attglobal.net

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