BRENDAN MCDERMID/REUTERS - 22/09/2021
BRENDAN MCDERMID/REUTERS - 22/09/2021

Fed indica redução dos estímulos monetários 'em breve' e aumento da taxa de juros em 2022

Em decisão nesta quarta, o Federal Reserve, banco central americano, sinalizou que pode reduzir os programas de compras de títulos já na próxima reunião e que a taxa de juros dos EUA pode subir no ano que vem

New York Times,

22 de setembro de 2021 | 17h28

Autoridades do Federal Reserve (o Fed, o banco central americano) indicaram que esperam desacelerar em breve as compras de ativos que vêm usando para estimular a economia e previram que podem aumentar as taxas de juros do Estados Unidos em 2022, enviando um sinal claro de que estão se preparando para abandonar o programa de ajuda monetária conforme a economia se recupera do choque da pandemia. Na decisão desta quarta, não houve mudança na taxa básica de juros dos EUA, que foi mantida em um nível entre 0% e 0,25% ao ano.

“Se o progresso continuar como esperado, o Comitê julga que uma moderação no ritmo de compras de ativos pode ser garantida em breve”, disse o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) -- órgão equivalente ao Copom --, em seu comunicado divulgado nesta quarta.

A nova formulação do Fed eliminou o trecho que prometia avaliar o progresso da economia nas "próximas reuniões", sugerindo que um anúncio formal da desaceleração poderia ocorrer já na próxima reunião do banco central, em novembro.

As autoridades do Fed enfrentam um cenário complicado quase 20 meses depois que a pandemia do coronavírus abalou a economia dos EUA. Os negócios se recuperaram à medida que os consumidores passaram a gastar mais, ajudados por repetidos estímulos do governo e outros benefícios. Mas o vírus persiste e muitos adultos permanecem não vacinados, impedindo o retorno total ao normal. Ameaças externas também se avolumam, incluindo tremores no mercado imobiliário da China que colocaram os mercados financeiros em estado de alerta nesta semana. Nos Estados Unidos, disputas partidárias podem colocar em risco os planos de gastos em infraestrutura do governo ou até mesmo causar um atraso desestabilizador no necessário aumento do teto da dívida.

O presidente do Fed, Jerome Powell, e os demais diretores do Fed estão navegando por essas correntes cruzadas em um momento em que a inflação está em alta e o mercado de trabalho, embora se recupere, ainda está longe de se fortalecer. Eles estão avaliando quando e como reduzir o estímulo da política monetária, na esperança de evitar o superaquecimento da economia ou do mercado financeiro e, ao mesmo tempo, manter a recuperação no caminho certo. “Os setores mais afetados pela pandemia melhoraram nos últimos meses, mas o aumento dos casos de covid-19 retardou sua recuperação”, afirmou o Fed disse em seu comunicado de quarta-feira. 

O Fed vem mantendo as taxas de juros em nível baixo desde março de 2020 e está comprando US$ 120 bilhões em títulos garantidos pelo governo a cada mês, políticas que trabalham juntas para baratear o crédito. Isso alimentou os empréstimos e gastos e impulsionou o crescimento econômico. As autoridades sinalizaram que desacelerar as compras de títulos será o primeiro passo em direção a uma definição de políticas mais “normal”. 

“Eles (os diretores do Fed) querem iniciar uma saída (dos programas de estímulo)”, disse Priya Misra, chefe global de estratégia de taxas da TD Securities. “Eles estão alertando os mercados. Agora a pergunta é: quanto tempo vai durar o processo? O que está causando isso? Eles veem um risco de mudanças estruturais na economia por causa da covid?” 

O banco central americano está tentando separar sua política para a taxa básica de juros - a ferramenta de política mais tradicional e mais poderosa do Fed - de sua abordagem à compra de títulos. Powell disse que a taxa básica provavelmente permanecerá baixa por algum tempo. 

Metade dos 18 diretores do Fed espera um ou mais aumentos nas taxas de juros até o final de 2022, com nove marcando um aumento nas taxas no próximo ano, ante sete quando as projeções para a economia foram divulgadas pela última vez em junho. 

Em média, os diretores do Fed esperam que a inflação nos Estados Unidos atinja 4,2% no último trimestre de 2021 e caia para 2,2% em 2022. A inflação subiu acentuadamente nos últimos meses, elevada por interrupções na cadeia de suprimentos e outras peculiaridades ligadas à pandemia. A métrica de inflação preferida do Fed, o índice de despesas de consumo pessoal, subiu 4,2% em julho em relação ao ano anterior. 

Mas há dúvidas sobre como a inflação se desenvolverá nos próximos meses e anos. Algumas autoridades temem que ela permaneça elevada, alimentada pelo forte consumo. 

Outros se preocupam com o fato de que, da mesma forma como os preços subiram acentuadamente agora, a retirada de estímulos possa levar a uma inflação desconfortavelmente baixa no futuro -- os preços dos carros usados ​​causaram uma grande parte do aumento de 2021 nos Estados Unidos e podem cair, por exemplo.

Os aumentos de preços mornos prevaleciam antes do início da pandemia, e as mesmas tendências globais que vinham reduzindo a inflação poderiam mais uma vez dominar. A inflação muito alta ou muito baixa seria um problema para o Fed, que visa ganhos de preços anuais de 2% em média ao longo do tempo. 

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