Fed mantém afrouxamento e diz que recuperação segue lenta

A decisão de manter a taxa dos Fed Funds na faixa de zero a 0,25% ficou largamente em linha com o esperado pelos analistas

Regina Cardeal, da Agência Estado,

26 de janeiro de 2011 | 17h34

Em sua primeira reunião do ano, o comitê de mercado aberto (Fomc, na sigla na inglês) do banco central norte-americano, o Federal Reserve, manteve o juro de curto prazo perto de zero e o programa de compra de títulos do Tesouro dos EUA, apesar dos sinais de que a recuperação econômica está ganhando força nos EUA.

No comunicado divulgado ao término do encontro de dois dias, o Fomc reiterou que o plano de comprar US$ 600 bilhões em títulos do Tesouro até junho será submetido a revisões regulares e pode ser ajustado dependendo do desempenho da economia. A decisão ficou largamente em linha com o esperado pelos analistas.

A votação pela manutenção da taxa dos Fed Funds na faixa de zero a 0,25% foi por 11 a zero. Pela primeira vez em muitas reuniões, não houve nenhum dissidente. O presidente do Fed de Kansas City, Thomas H. Hoenig, que deu voto contrário à decisão semelhante nas reuniões anteriores deixou de ser membro votante do Fomc este ano. Segundo o comunicado do Fed, os juros dos Fed Funds permanecerão excepcionalmente baixos por um período prolongado.

O Fed afirma que a recuperação econômica continua, mas é muito lenta para melhorar significativamente o mercado de trabalho. Os empregadores, segundo o banco central, continuam relutantes em contratar. O setor de moradia segue deprimido e as expectativas de inflação de longo prazo estão estáveis, acrescenta o comunicado. As informações são da Dow Jones.

Leia abaixo a íntegra do comunicado do Federal Reserve.

"Informações recebidas desde que o Comitê Federal de Mercado Aberto reuniu-se em dezembro confirmam que a recuperação econômica está continuando, embora a uma taxa que tem sido insuficiente para causar uma melhora significativa nas condições do mercado de mão de obra. O crescimento nos gastos dos consumidores cresceu no fim do ano passado, mas continua restrito pelo desemprego alto, pelo crescimento modesto da renda, pelo valor mais baixo das propriedades residenciais e pelo crédito apertado. Os gastos das empresas em equipamento e software estão crescendo, enquanto o investimento em estruturas não-residenciais continua fraco. Os empregadores continuam relutantes em contratar. O setor de moradia continua deprimido. Embora os preços das commodities tenham subido, as expectativas para a inflação no prazo mais longo permaneceram estáveis e as medidas da inflação subjacente tenderam para baixo.

"Consistente com seu mandato estatutário, o Comitê busca fomentar o máximo emprego e a estabilidade dos preços. Atualmente, a taxa de desemprego está elevada e as medidas da inflação subjacente estão bastante baixas em relação aos níveis que o Comitê julga serem consistentes, no longo prazo, com seu mandato duplo. Embora o Comitê preveja uma volta gradual a níveis de utilização dos recursos num contexto de estabilidade dos preços, o progresso na direção de seus objetivos tem sido decepcionantemente lento.

"Para promover um ritmo mais forte de recuperação econômica e ajudar a assegurar que a inflação, ao longo do tempo, esteja em níveis consistentes com seu mandato, o Comitê decidiu hoje continuar a expandir suas posições em títulos, como anunciado em Novembro. Em particular, o Comitê está mantendo sua política existente de reinvestir os pagamentos de principal de suas posições em títulos e pretende comprar US$ 600 bilhões em títulos de prazos mais longos do Tesouro até o fim do segundo trimestre de 2011. O Comitê vai revisar regularmente o ritmo de suas compras de títulos e o tamanho geral do programa de compras de ativos à luz das informações que chegarem, e vai ajustar o programa à medida que isso seja necessário para fomentar da melhor maneira o emprego e a estabilidade dos preços.

"O Comitê vai manter a meta para a taxa dos Federal Funds na faixa de zero a 0,25% e continua a prever que as condições econômicas, inclusive as taxas baixas de utilização dos recursos, tendência de inflação contida e expectativas de inflação estáveis, provavelmente justificarão níveis excepcionalmente baixos para a taxa dos Federal Funds por um período prolongado.

Votaram a favor da decisão de política monetária do Fomc: Ben S. Bernanke, chairman; William C. Dudley, vice-chairman; Elizabeth A. Duke; Charles L. Evans; Richard W. Fisher; Narayana Kocherlakota; Charles I. Plosser; Sarah Bloom Raskin; Daniel K. Tarullo; Kevin M. Warsh; e Janet L. Yellen."

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