Fed mantém juro e diz que retomada segue, embora lenta

O Federal Reserve afirmou nesta quarta-feira que o ritmo da recuperação norte-americana está ocorrendo mais lentamente que o esperado, embora isso se deva principalmente a fatores temporários.

MARK FELSENTHAL E GLENN SOMERVILLE, REUTERS

22 de junho de 2011 | 13h59

O Fed manteve a taxa básica de juros entre zero e 0,25 por cento, reafirmando que a manterá em níveis baixos por um período prolongado.

O banco central dos Estados Unidos disse ainda que a inflação acelerou devido aos preços mais altos das commodities e a interrupções na cadeia de fornecimento industrial, mas que as expectativas inflacionárias de longo prazo continuam estáveis.

"O ritmo mais lento de recuperação reflete, em parte, fatores que devem ser temporários, como o efeito prejudicial dos preços mais altos de alimentos e energia, além de interrupções na cadeia produtiva associadas com os eventos trágicos no Japão", disse o Fed, após reunião de dois dias.

O Fed disse que encerrará o programa de compra de Treasuries no fim deste mês, como o planejado, mas que continuará a reinvestir o pagamento do principal.

Dois anos após o fim da recessão nos Estados Unidos e tentativas inéditas do Fed de impulsionar o crescimento, a recuperação parece fraca.

Embora as autoridades do Fed tenham dito esperar que o crescimento ganhe ritmo, relatórios divulgados desde o encontro de abril apontam perda de vigor na maior economia do mundo.

As empresas continuam relutantes em contratar, e a taxa de desemprego segue elevada, alcançando 9,1 por cento em maio. O setor imobiliário permanece sob ameaça de declínio.

Com as incertezas envolvendo a geração de empregos e os preços dos imóveis em queda, o gasto do consumidor, que responde por cerca de 70 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA, vem fraquejando. As vendas no varejo declinaram em maio pela primeira vez em 11 meses.

A atividade manufatureira também tem apresentado dificuldades.

A economia cresceu a uma taxa anualizada de 1,8 por cento nos primeiros três meses do ano. Analistas esperam que o crescimento no segundo trimestre fique em torno de 2 por cento, ainda insuficiente para gerar um grande estímulo a contratações.

Em abril, o Fed estimou que a economia cresceria entre 3,1 e 3,3 por cento em 2011 e entre 3,5 e 4,2 por cento no próximo ano.

Mesmo com o crescimento ainda modesto, a inflação tem acelerado. Os preços ao consumidor tiveram no mês passado a maior alta anual desde outubro de 2008.

Em discurso há duas semanas, Bernanke disse que alguns dos obstáculos ao crescimento --como problemas de fornecimento provocados pelo terremoto e tsunami que atingiram o Japão e o aumento nos preços da gasolina-- provavelmente vão mostrar alívio nos próximos meses, permitindo à economia crescer mais solidamente no segundo semestre.

O Fed cortou a taxa de juros para perto de zero em dezembro de 2008 e está a caminho de comprar o equivalente a 2,3 trilhões de dólares em ativos de longo prazo, no intuito de estimular o crescimento econômico.

Analistas vêm especulando nas últimas semanas que o Fed poderia começar a considerar que outras ferramentas possui para estimular o crescimento econômico. Entre as medidas possíveis estão compras adicionais de bônus ou a reiteração da promessa de que a política expansionista continuará até que a força da recuperação esteja clara.

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