NICHOLAS KAMM/AFP
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Fed mantém juros nos EUA e mostra preocupação com crescimento e inflação

Segundo o BC americano, a economia dos EUA apresenta uma boa performance em alguns aspectos, mas demonstra sinais preocupantes em outros

O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2016 | 15h56

SÃO PAULO - O Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) manteve a taxa de juros do país na faixa de 0,25% a 0,50%, em uma decisão em linha com as expectativas. Uma dirigente, Esther George, votou por uma elevação na taxa, no único voto contrário à decisão da maioria. 

O comunicado emitido pelo Fed retirou a palavra "riscos" em referência a acontecimentos globais, ainda que o quadro global siga como uma preocupação subjacente. O Fed mostrou não ter pressa para elevar os juros, ao citar um ambiente econômico misto e preocupações com a baixa inflação e os desenvolvimentos nos mercados financeiros. A instituição afirma que a atividade econômica parece ter desacelerado nos EUA. 

Segundo o comunicado do banco central, a economia dos EUA apresenta uma boa performance em alguns aspectos, mas ainda demonstra sinais preocupantes em outros.

"As condições do mercado de trabalho melhoraram mesmo com indicações de que o crescimento economia desacelerou", diz o documento.

Dirigentes da instituição notaram que os gastos das famílias desaceleraram com a renda real crescendo e o sentimento do consumidor em patamares altos.

O comunicado sugere que as autoridades estão menos preocupadas com os riscos para a economia, mas ainda veem alguma trepidação. Elas não alertam para os "riscos" vindos do exterior e dos desenvolvimentos financeiros, como no comunicado de março, mas sinalizam que ainda estão de olho nos acontecimentos. "O Fed continua a monitorar os indicadores de inflação e os desenvolvimentos financeiros e globais".

Apesar disso, o Fed também não ofereceu qualquer sinal de que uma elevação dos juros é iminente.  

Na próxima reunião, em junho, a autoridade monetária deve atualizar suas projeções econômicas, trazendo novas informações ao cenário. O período até lá pode determinar quantas vezes o Fed deverá elevar os juros este ano. Hoje, a maior parte do mercado aposta em apenas uma elevação de juros este ano.

Desaceleração. A expansão dos EUA parece estar diminuindo. O crescimento econômico abrandou para uma taxa anualizada de 1,4% no quarto trimestre do ano passado, de 2% no terceiro trimestre e 3,9% no segundo, de acordo com o Departamento de Comércio. O Fed de Atlanta estima um crescimento de apenas 0,6% no primeiro trimestre deste ano, mas não é raro uma perda de fôlego nos primeiros três meses do ano.

A inflação também abrandou. Pela medida preferida do Fed, os preços ao consumidor subiram 1% em fevereiro ante mesmo mês do ano anterior, depois de avançarem 1,2% em janeiro. A inflação tem rodado abaixo da meta de 2% do Fed por quase quatro anos.

"Dados os riscos para as perspectivas, considero que é apropriado para o Comitê proceder com cautela na política de ajuste", disse a presidente do Fed, Janet Yellen, no mês passado. (Gabriel Bueno da Costa, com informações da Dow Jones Newswires)

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