Susan Walsh|AP
Susan Walsh|AP

Fed mostra divisão sobre alta dos juros

Elevação da taxa parece longe de ser unânime e provocou nervosismo no mercado financeiro

Altamiro Silva Junior, correspondente, O Estado de S.Paulo

12 Setembro 2016 | 21h45

O discurso da diretora do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), Lael Brainard, que defendeu nesta segunda-feira, 12, “prudência” para voltar a subir os juros no país mostra que os dirigentes do maior banco central do mundo vão para a reunião de política monetária deste mês divididos sobre o momento ideal para aumentar as taxas.

O mercado financeiro teve nesta segunda a última chance de ouvir as avaliações dos dirigentes do Fed sobre os rumos da política monetária dos EUA antes da reunião dos próximos dias 20 e 21. A partir de hoje, eles entram em período de silêncio e só voltam a falar após o fim do encontro, quando a presidente do BC, Janet Yellen, participa de uma entrevista coletiva.

O discurso de Lael, um dos mais esperados das últimas semanas, contrastou com o do presidente do Fed de Boston, Eric Rosengren, que este ano vota nas reuniões do política monetária. Na sexta-feira, o dirigente, conhecido por ter perfil “dovish”, ou seja, defensor de juros baixos, mostrou avaliação contrária, sinalizando que as condições para subir as taxas estão se mostrando apropriadas.

A avaliação dos investidores de que Rosengren vai defender alta de juros em setembro provocou forte nervosismo no mercado. Lael foi na direção contrária e afirmou que o “argumento para apertar a política de maneira preventiva é menos convincente” e recomendou “prudência” no processo de aperto monetário.

A diretora do Fed sempre teve, assim como Rosengren, perfil “dovish” e a dúvida era se também haveria uma guinada ontem em direção aos “falcões”(“hawks”), que acabou não ocorrendo. “O discurso dela foi muito dovish”, avalia o economista do Deutsche Bank, Joseph LaVorgna. Para ele, ficou claro que a diretora vai votar na semana que vem pela manutenção dos juros.

Fed dividido. A divergência entre os dirigentes do Fed sobre a alta de juros pode ser vista ontem também entre dois membros do BC sem direito a voto nas reuniões, o que indica que as discussões serão quentes nos dois dias de encontro do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), que envolve os 17 dirigentes do Federal Reserve.

O presidente do Fed de Atlanta, Dennis Lockhart, mostrou otimismo ontem ao avaliar a atividade econômica dos Estados Unidos e afirmou que as condições atuais apoiam uma “discussão séria” sobre elevação de juros na próxima semana. Já seu colega da regional de Minneapolis, Neel Kashkari, declarou não ver urgência para subir os juros.

“O Fed está dividido”, afirma o economista-chefe do Bank of Tokyo Mitsubishi, Christopher Rupkey. Ficou claro que Brainard não está entre os dirigentes que vão defender aumento de juros na semana que vem. Ele lembra que na conferência de Jackson Hole, no fim de agosto, Yellen declarou que as condições para uma alta de juros estavam ficando próximas. O problema foi que em seguida, alguns indicadores da economia americana vieram fracos e ajudaram a reduzir as apostas de alta de juros este mês.

Calibragem. Os analistas destacam que indicadores que serão divulgados nesta semana serão importantes para a calibragem das apostas de juros na reunião do Fomc deste mês. Na quinta-feira, saem as vendas no varejo e a produção industrial dos EUA, com dados de agosto. Além disso, na sexta-feira, será divulgado o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês), que pode dar novas pistas sobre a convergência da inflação para a meta do Fed.

Por enquanto, as apostas são de que a alta dos juros deve ficar para depois. Na Bolsa de Chicago, as posições nos futuros indicam probabilidade de apenas 12% de aumento na semana que vem. Uma pesquisa do Wall Street Journal revelou que 13% dos economistas e analistas esperam aumento agora.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.