Fed mostra temor com economia global e sinaliza manutenção da taxa de juros

Documento mostrou preocupação com o crescimento fora dos EUA e o efeito disso sobre a economia do país

Agência Estado

08 de outubro de 2014 | 18h36

Os dirigentes do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) mostraram mais preocupação com a debilidade do crescimento econômico fora dos EUA e com o impacto disso na economia do país, diz a ata da reunião do Comitê de Mercado Aberto (Fomc) realizada em 16 e 17 de setembro.

Segundo a ata, os participantes da reunião se disseram preocupados com a possibilidade de um crescimento decepcionante na Europa, na China e no Japão prejudicar as exportações norte-americanas. Ao mesmo tempo, a alta do dólar poderá manter a inflação nos EUA abaixo da meta do Fed, de 2%, por reduzir o custo de bens e serviços importados.

Para o influente colunista Jon Hilsenrath, do Wall Street Journal, essa preocupação é uma razão a mais para que o Fed mantenha as taxas de juro de curto prazo próximas de zero, mesmo diante de uma melhora na economia.

"Alguns participantes manifestaram a preocupação de que a debilidade persistente do crescimento econômico e da inflação na zona do euro possa levar a uma valorização adicional do dólar e ter efeito adverso no setor externo dos EUA", diz a ata.

"Vários participantes acrescentaram que um crescimento econômico mais lento na China ou no Japão, ou eventos imprevistos no Oriente Médio ou na Ucrânia, possam apresentar um risco similar", prossegue o texto.

Essas preocupações sobre o crescimento global e sobre o impacto econômico do dólar forte representam uma nova variação no debate em andamento no Fed sobre quando começar a elevar as taxas de juro de curto prazo. Os dirigentes do Fed passaram boa parte dos últimos meses discutindo o momento e a mecânica das elevações das taxas de juro.

A expectativa da maioria deles é que a primeira elevação aconteça em meados de 2015. Uma melhora nas condições do mercado de mão de obra levou alguns participantes a defenderem uma antecipação no aperto monetário.

A ata divulgada nesta quarta-feira mostra mais claramente do que antes que as preocupações sobre o crescimento global e o impacto deflacionário do dólar forte estão levando os dirigentes do Fed a fazerem uma pausa adicional ao considerar elevações nas taxas de juro. O euro caiu cerca de 8% diante do dólar desde o começo do ano e boa parte dessa alta aconteceu desde junho.  Os participantes da reunião também prosseguiram na discussão sobre como mudar sua sinalização ao público sobre a perspectiva das taxas de juro de curto prazo.

Desde março, o Fed vem dizendo que manterá a taxa dos Fed Funds próxima de zero "por um tempo considerável" depois de encerrar seu programa de compras de bônus. Com a perspectiva de o programa terminar em outubro, o debate sobre a "guidance" se intensificou.

"Vários participantes pensavam que a sinalização atual sobre a taxa dos Fed Funds sugere um período mais longo antes da elevação, e talvez também uma elevação mais gradual da taxa dos Fed Funds no futuro, do que eles acreditavam ser provavelmente o apropriado, tendo em vista as condições econômicas e financeiras. Além disso, foi levantada a preocupação de que a referência a 'um tempo considerável' na sinalização atual  possa ser mal interpretada como um compromisso, ao invés de depender de indicadores", diz a ata.

O documento enfatiza que a decisão sobre taxas de juro dependerá de como a economia vai se comportar e sugere que uma mudança na sinalização está ganhando forma.

"A maioria dos participantes indicou uma preferência por esclarecer a dependência da sinalização atual de indicadores econômicos e da avaliação do Comitê sobre o progresso na direção de suas metas de nível máximo de emprego e inflação em 2%. Um esclarecimento de acordo com essas linhas foi visto com probabilidade de melhorar a compreensão do público sobre a função reativa do Fed e, ao mesmo tempo, permitir que o Comitê mantenha a flexibilidade para reagir de modo apropriado a mudanças na perspectiva da economia", diz a ata.  

O texto diz ainda que a política fiscal do governo dos EUA "está restringindo o crescimento econômico, embora a extensão dessa restrição esteja diminuindo. Em geral, antecipou-se que a política fiscal de maneira geral seja um fator neutro para o crescimento econômico ao longo de vários anos".

A maioria dos participantes da reunião "via os riscos à perspectiva da atividade econômica e ao mercado de mão de obra como equilibrados, de uma maneira geral", mas "vários" participantes "Notaram que o crescimento econômico no médio prazo poderá ser mais lento do que eles esperavam, caso o crescimento no exterior seja mais fraco do que se previa, a produtividade estrutural continue a crescer apenas lentamente ou a recuperação na construção de imóveis residenciais continue fraca".

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