Fed não descansará enquanto não resolver crise, diz Bernanke

Presidente do BC dos EUA mantém porta aberta para corte de juro e diz que todas as ferramentas serão usadas

Ana Conceição, da Agência Estado,

15 de outubro de 2008 | 13h31

O presidente do Federal Reserve (Fed, o BC norte-americano), Ben Bernanke, manteve a porta aberta para mais cortes na taxa de juros dos EUA ao dizer que os formuladores da política monetária continuarão a usar "todas as ferramentas disponíveis" para restaurar a estabilidade nos mercados financeiros. "Nós não vamos descansar até que tenhamos atingido nossos objetivos de reparar e reformar nosso sistema financeiro e restaurar a prosperidade", disse, em discurso preparado para uma conferência do Economic Club de New York. Veja também:Consultor responde a dúvidas sobre crise  Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitosEspecialistas dão dicas de como agir no meio da crise A cronologia da crise financeira  Dicionário da crise  As declarações foram feitas uma semana depois do que Bernanke chamou de um corte coordenado "sem precedentes" nas taxas de juros de vários países, ação que envolveu o Fed e outros grandes bancos centrais, incluindo o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco da Inglaterra. Nos EUA, a taxa dos Fed Funds foi reduzida de 2,0% para 1,5%. "Continuaremos a usar todas as ferramentas disponíveis para melhorar o funcionamento e a liquidez do mercado, reduzir as pressões nos mercados de crédito, e complementar os passos que o Tesouro dos EUA e outros governos vão tomar para fortalecer o sistema financeiro", afirmou o presidente do Fed. Bernanke ainda sublinhou que os formuladores de políticas agora têm as ferramentas necessárias para combater a crise de crédito e expressou confiança de que os EUA vão "emergir deste período com vigor renovado". Mas não será uma recuperação rápida, sugeriu. "Levará algum tempo até que os mercados de crédito se descongelem, e mesmo que eles se estabilizem... uma recuperação econômica mais abrangente não acontecerá de forma rápida." Bernanke também defendeu a decisão do governo norte-americano de permitir a concordata do Lehman Brothers. "Uma solução do setor público para o Lehman se mostrou impraticável, já que a empresa não tinha garantias suficientes que fornecessem uma segurança razoável de que os empréstimos do Federal Reserve seriam pagos", afirmou.  Ele ainda comentou que o pacote de US$ 700 bilhões para socorrer os bancos "nos dará melhores opções". "No futuro, o Tesouro terá mais recursos disponíveis para impedir a falência de uma instituição financeira quando tal quebra representar riscos inaceitáveis para o sistema financeiro como um todo", afirmou Bernanke.  Commercial papers O Fed informou também nesta quarta que o montante total em commercial papers que poderá ser financiado por sua nova Linha de Financiamento de Commercial Paper (CPFF, na sigla em inglês) é de cerca de US$ 1,8 trilhão, segundo relatório encaminhado ao Congresso pelo banco central, conforme determina a recente legislação de socorro ao mercado financeiro. Segundo o Fed, o Tesouro depositou US$ 50 bilhões no Fed de Nova York para apoiar esta linha de crédito. Ainda como determina a lei, o Fed encaminhou um relatório sobre o empréstimo à seguradora AIG (American International Group). No entanto, segundo o chairman do comitê bancário do Senado, Christopher Dodd (Democrata, Connecticut), o banco central manteve este relatório confidencial e não disponível ao público. "Espero que o Fed se torne mais transparente ao encaminhar estes relatórios para que possamos continuar a proteger os contribuintes americanos e restaurar a confiança em nossa economia", disse Dodd em comunicado. No relatório sobre a linha de crédito para commercial papers, divulgado pelo escritório de Dodd, o Fed informa que o montante total que poderá ser financiado, de cerca de US$ 1,8 trilhão, "é a soma dos limites entre emissores elegíveis" para o programa. "Uma vez que a linha é destinada a ser uma fonte de apoio ao financiamento, o montante que, de fato, será financiado poderá ser consideravelmente menor", diz o relatório.  O Fed "não espera neste momento que os créditos sob (a Linha de Financiamento de Commercial Paper) resultem em qualquer perda para o Fed ou para o contribuinte", acrescenta. O relatório informa que o Tesouro disse ao Fed que "acredita que a criação da CPFF era necessária para evitar problemas substanciais nos mercados financeiros e na economia". Por estas razões, "o Tesouro fez um depósito especial de US$ 50 bilhões no Fed de Nova York para apoiar a linha de crédito", acrescenta o Fed.  (com Regina Cardeal, da Agência Estado)

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.