Fed não pode fazer mais para deter desemprego, diz Greenspan

Para presidente do órgão, preocupação deve ser por conta do risco de inflação em consequência dos pacotes

Reuters,

13 de dezembro de 2009 | 17h40

O Federal Reserve já fez tudo que pode para reduzir o desemprego e deve se preocupar mais com o risco de inflação por conta do estímulo injetado na economia, disse neste domingo Alan Greenspan, ex-presidente do Fed.

"Acho que o Fed fez um trabalho extraordinário, fez muito para incentivar o emprego. Há uma forte política monetária e o Banco Central dá conta disso. Acho que chegaram ao limite no estágio atual", disse Greenspan no programa de tevê "Meet the Press" da rede norte-americana NBC.

"Não se pode pedir a um Banco Central que faça mais do que é capaz sem conseqüências muito drásticas", prosseguiu Greenspan, dizendo que os EUA enfrentam uma séria ameaça de inflação a menos que o Fed comece a retirar "todo o estímulo que injetou na economia".

Greenspan, que chefiou o Banco Central entre 1987 e 2006, também expressou preocupação com a iniciativa do Congresso que, segundo ele, "irá comprometer muito seriamente" a independência do Fed.

Na sexta-feira, a Câmara dos Deputados aprovou uma legislação de reforma fiscal dotada de uma cláusula que permite que uma agência reguladora do Congresso audite as operações de política monetária do Banco Central norte-americano.

Isso reflete preocupações de que o Fed não tenha feito o suficiente para conter a pior crise econômica dos EUA desde a Grande Depressão dos anos 1930.

"O que se terá é uma política monetária mais dedicada a considerações políticas de curto prazo, e não às considerações de longo prazo que o Ato do Banco Central foi concebido para trabalhar", disse Greenspan.

Greenspan afirmou esperar que a taxa de desemprego dos EUA, atualmente de 10 por cento, esteja "significativamente menor daqui a um ano", mas ainda muito alta.

O plano do Censo dos EUA de contratar cerca de 800 mil trabalhadores até abril de 2010 retirará vários décimos da porcentagem da taxa de desemprego, disse ele.

A recuperação das bolsas nos últimos seis a nove meses ajuda, deixando muitos indivíduos e muitas empresas em melhores condições de fazer gastos, disse ele.

O Federal Reserve terá que começar a aumentar as taxas de juros de seus atuais níveis muito baixos à medida que a economia e a demanda de empréstimos melhorarem, disse Greenspan.

"Lembrem-se, a demanda de empréstimos tem sido baixa porque os negócios estão liquidando seus inventários. Isso vai parar, e quando isso acontecer a demanda de empréstimos voltará e as pressões das taxas de juros de curto prazo vão começar a crescer", afirmou Greenspan.

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