Fed organiza socorro ao Bear Stearns, ações despencam

O Bear Stearns disse nestasexta-feira que uma crise repentina de liquidez o forçou abuscar recursos de emergência com o Federal Reserve e oJPMorgan Chase, intensificando o temor sobre o agravamento dacrise global de crédito e enxugando praticamente metade dovalor de suas ações. Foi o primeiro socorro de um agente intermediário peloFederal Reserve desde a Grande Depressão, e a última de umasérie de ações para tentar acalmar os mercados financeiros,assustados com o contágio dos problemas provocados pelo aumentoda inadimplência nas hipotecas. A linha emergencial, de 28 dias, foi criada dois dias apóso Bear, que foi duramente abalado pela exposição pesada aomercado hipotecário dos Estados Unidos, desmentir rumores demercado sobre uma falta de liquidez. O banco havia dito queainda era um player saudável na rede global de operações efinanças. Mas o tom mudou nesta sexta-feira. O presidente-executivodo Bear Stearns, Alan Schwartz, explicando porque o bancorecorreu ao Fed e a um banco concorrente, disse: "Nossa posiçãode liquidez nas últimas 24 horas se deteriorou de formasignificativa." "Nós tomamos esse passo importante para restaurar aconfiança do mercado em nós, fortalecer nossa liquidez epermitir que possamos continuar nossas operações normais",disse Schwartz. Mas, dentro do banco e em Wall Street, o panorama erabastante ruim. "O humor está sombrio", disse um vendedor de ações do BearStearns que pediu para não ser identificado. Ele disse imaginarque haverá uma aquisição na segunda-feira. Os investidores, enquanto isso, fugiam. As ações do Bearderreteram com volume recorde, em baixa de 45,9 por cento, etosaram 3 bilhões de dólares em valor de mercado. Ainda que o Bear fosse um dos bancos mais afetados pelacrise de crédito, ele chocou os investidores ao anunciar que oFederal Reserve e o JPMorgan haviam concordado em emprestar ummontante indefinido de recursos por até 28 dias. O Fed aprovou o acordo em reunião de emergência nestamanhã. SOB PRESSÃO O Bear Stearns normalmente é visto como um dos bancos deinvestimento mais vulneráveis, por ser um dos menores entre asprincipais instituições de Nova York e por ter a maiorexposição ao mercado hipotecário dos Estados Unidos. A reputação do Bear como um operador esperto foi abalada nomeio do ano passado com o colapso de dois hedge funds. Depois obanco sofreu com perdas nos setores de crédito e hipotecas. A gota d'água veio nesta semana com a piora dos mercados.Schwartz divulgou que a posição de liquidez do banco "sedeteriorou significativamente" na quinta-feira, após uma sériede relatórios questionarem a capacidade do banco de atendernegócios de longo prazo. Na quarta-feira, Schwartz havia ditoque o banco tinha cerca de 17 bilhões de dólares em dinheiro. Uma fonte com conhecimento sobre a situação disse que, sema intervenção do Fed, o Bear não teria recursos suficientespara abrir nesta sexta-feira. "Eu acho que essa é uma ponte para uma situaçãopermanente", disse Schwartz durante teleconferência cominvestidores. Ele disse que o instrumento de crédito ésuficiente para financiar as atividades diárias e conduzir "osnegócios normalmente". Mesmo assim, ele deixou a porta aberta para outros acordos. "Estaremos procurando qualquer alternativa estratégica quenos permita proteger nossos consumidores, bem como maximizar ovalor aos acionistas". Observadores do setor previram consequências duras para obanco, sugerindo que a única alternativa provavelmente seria avenda. (Reportagem adicional de Dan Wilchins, Jui Chakravorty,Jennifer Ablan)

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