Fed pode adotar medidas para fortalecer economia

Em carta, Ben Bernanke, presidente da instituição, disse que há espaço para novas ações

WASHINGTON , O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2012 | 03h07

O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), Ben Bernanke, defendeu em carta as ações que a instituição implementou para sustentar a economia e disse que há espaço para mais medidas. As declarações foram uma resposta aos questionamentos feitos pelo deputado americano Darrell Issa, chefe do comitê de supervisão da Câmara dos Representantes.

"Há escopo para mais ações do Federal Reserve para acalmar as condições financeiras e fortalecer a recuperação", disse Bernanke na carta, datada de quarta-feira, segundo o jornal The Wall Street Journal.

A operação twist do Fed, pela qual a instituição compra títulos de longo prazo do Tesouro e vende papéis de curto prazo, ainda está tendo efeitos no sistema financeiro, segundo Bernanke. O programa foi lançado em setembro do ano passado e, em junho, foi renovado até o fim deste ano.

Bernanke afirmou que as compras de títulos pelo Fed nos últimos anos "ajudaram a promover uma recuperação mais forte do que teria ocorrido e a prevenir a possibilidade de deflação...ao pressionar para baixo as taxas de juros de longo prazo e contribuir para uma melhora mais ampla das condições financeiras."

A carta ecoa comentários anteriores que Bernanke tem feito a legisladores e na mídia. Na próxima sexta-feira, Bernanke fará um aguardado discurso durante o simpósio anual do Fed em Jackson Hole, em Wyoming. Em 2010, Bernanke aproveitou o evento em Jackson Hole para preparar o terreno para uma segunda rodada de relaxamento quantitativo.

A ata da reunião de política monetária do Fed, realizada em 31 de julho e 1.º de agosto, sugeriu que a instituição está inclinada a implementar mais ações, que podem incluir uma nova rodada de compras de títulos, a indicação de que as taxas de juros permanecerão baixas por mais tempo do que se previa e outras medidas. A próxima reunião do Fed está marcada para 12 e 13 de setembro.

Encomendas. Novas encomendas para produtos manufaturados de longa duração dos Estados Unidos aumentaram em julho, mas o segundo mês seguido de declínio na medida de planos de investimento empresarial apontou para desaceleração da tendência de crescimento no setor industrial. O Departamento do Comércio informou ontem que os pedidos de bens duráveis saltaram 4,2%, por causa de uma forte demanda por aeronaves civis depois de uma alta revisada para 1,6% em junho. O aumento do mês passado foi o maior desde dezembro.

Economistas consultados pela Reuters esperavam que os pedidos de bens duráveis, itens que variam de torradeiras a aeronaves e que devem ter duração superior a três anos, subissem 2,4%, depois de uma alta de 1,3% previamente reportada para junho. Excluindo transportes, as encomendas caíram 0,4%, marcando o segundo mês seguido de queda.

Encomendas de bens de capital fora do setor de defesa e excluindo aeronaves, uma medida observada de perto para planos de investimento empresarial, caíram 3,4%, depois de recuarem 2,7% em junho./ AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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