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Fed pode reduzir estímulos em outubro

Segundo diretor Fed, compra de bônus pode ter 'pequena redução' no próximo mês, após decisão 'limítrofe' de manutenção do programa

NOVA YORK, WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2013 | 02h05

O presidente do Federal Reserve Bank de St. Louis, James Bullard, disse ontem que "uma pequena redução (no programa de compras de bônus do banco central americano) é possível em outubro", e que a decisão de não fazer isso na reunião encerrada na quarta-feira foi "limítrofe". "Foi uma decisão apertada. É possível que tenhamos algum indicador que mude a cara da perspectiva e torne o comitê confortável com uma pequena redução em outubro."

Esta semana, o Federal Reserve (Fed) anunciou a manutenção do programa de estímulos à economia, que consiste na injeção mensal de US$ 85 bilhões no mercado por meio da compra de bônus do governo. Os mercados globais vinham se preparando para o fim desses estímulos e a decisão acabou surpreendendo analistas.

Segundo Bullard, a esperada melhora da economia dos EUA no segundo semestre "ainda não se materializou" e pesou na decisão do Fed de não começar a reduzir suas compras mensais de bônus. De acordo com ele, a decisão do Fed de manter a política atual foi difícil.

Quando começou a apresentar uma estratégia de saída da política de estímulos, em junho, o Fed indicou que esperava ver uma economia mais forte na segunda metade do ano, diz Bullard. Mas, por enquanto, os dados "estão um pouco mistos". "E não parece que as coisas que esperávamos em junho estão se materializando, pelo menos não por enquanto."

Por esse motivo, o Fomc (o comitê de política monetária do Fed) preferiu "esperar para ver" o que acontece.

Perguntado sobre o provável impacto de um novo presidente no comando do Fed - o atual, Ben Bernanke, deve deixar o cargo em janeiro -, Bullard disse que, em geral, independentemente de quem estiver no cargo, "deverá haver continuidade da política atual".

Bullard também comentou que Janet Yellen, a atual vice de Bernanke no Fed, tem estado completamente envolvida nas decisões de política monetária, o que sugere que haverá continuidade. Yellen é considerada a favorita para a sucessão de Bernanke.

Decepção. Para a presidente do Fed de Kansas City, Esther George, a decisão do banco central americano de não reduzir estímulos foi "decepcionante". Segundo ela, que foi a única a votar contra a manutenção do ritmo das compras de bônus do banco central na reunião do Fomc desta semana, a decisão de esperar mais gera desafios à credibilidade da instituição.

Em discurso em Nova York, Esther disse que não havia necessidade de esperar por mais evidências de que a economia estava forte o suficiente, pois isso reduz os sinais do progresso já visto. Ela ressaltou também que a comunicação do Fed levou o mercado a esperar uma redução nas compras de bônus.

A dirigente criticou a comunicação do Fed ao dizer que o banco central precisa ser mais claro sobre a trajetória futura das taxas de juros, e que manter os juros baixos apesar do crescimento cria preocupações com a economia.

"Ao ter adiado, acredito que o Fomc terá de pensar sobre desafios à credibilidade e previsibilidade", afirmou, acrescentando que é indiferente se a redução vai ocorrer nas compras de Treasuries ou de títulos lastreados a hipotecas (MBS, na sigla em inglês). Esther afirmou que o mercado de trabalho já está melhorando substancialmente e que a política monetária só pode afetar o desemprego indiretamente. / DOW JONES NEWSWIRES

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