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FED: preocupação com EUA não foi afastada

O corte de 0,5 ponto porcentual na taxa de juros norte-americana - de 6,5% ao ano para 6,0% ao ano -, anunciada pelo banco central dos Estados Unidos (FED), não afasta a possibilidade de recessão nos Estados Unidos. Essa é a opinião de José Júlio Senna, sócio-diretor da MCM Associados e ex-diretor de política monetária do Banco Central (BC). De acordo com Senna, o país já passa por um processo de desaceleração forte e a atitude do FED em reduzir os juros de forma extraordinária, ou seja, antes da data prevista para a reavaliação da taxa - 31 de janeiro - é uma prova disso. "Uma economia que reduziu seu crescimento de 5% para um patamar próximo a 2% está em desaquecimento forte. Isso é inegável", afirma.O executivo explica que o impacto da redução de 0,5 ponto porcentual na taxa de juros só deve ser percebido no final de 2001. "A alta das taxas teve início em junho de 1999, quando estavam em 4,75% ao ano. O resultado mais expressivo dessa política de juros é percebido agora, 18 meses depois. Por isso, é errado imaginar que o começo do corte das taxas apresente resultados no curto prazo", afirma Senna.Nicolas Balafas, diretor de renda variável do BNP Asset Management, também acredita que a preocupação com o desaquecimento da economia norte-americana continua. Porém, o corte de juros promovido pelo FED é positivo, pois sinaliza que a autoridade monetária nos EUA está atenta aos risco de uma recessão no país.Perspectivas para a decisão do CopomA decisão do FED aumenta as chances de corte de juros no Brasil, na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), nos dias 16 e 17 de janeiro. Na opinião do executivo da MCM Associados, o que na verdade muda na perspectiva do mercado é a amplitude do corte, já que o Copom havia sinalizado na ata da última reunião que não havia mais obstáculos externos para o corte de juros.Senna, que estimava uma redução da taxa básica de juros - Selic - de 0,5 ponto porcentual, ou seja, dos atuais 15,75% ao ano para 15,25% ao ano, mudou sua aposta com a decisão do FED. "A Selic pode cair para 15% ao ano, ampliando o corte para 0,75 ponto porcentual", avalia. Já o economista-chefe do JP Morgan, Marcelo Carvalho, declarou que aposta em um corte de 0,5 ponto porcentual.Marcelo Cypriano, economista do BankBoston, não acredita em um corte tão acentuado, mas admite que a decisão do FED deve influenciar a decisão do Copom. "Se antes o Copom podia adotar a estratégia de aguardar a reação da economia, deixando estável a Selic estável na próxima reunião, agora é grande a chance de que o Comitê reduza os juros já em meados de janeiro", considera o executivo.Veja na seqüência a reação dos investidores e perspectivas para os próximos dias.

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