Fed prepara terreno para novas medidas

Para analistas, com decisão sobre twist, Fed abre espaço para a 3ª emissão da política de relaxamento quantitativo, para garantir liquidez ao mercado

RICARDO LEOPOLDO, O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2012 | 03h08

A decisão do Fed, de somar US$ 267 bilhões aos US$ 400 bilhões da Operação Twist, que seria encerrada no fim deste mês e foi estendida até dezembro, tem o objetivo de dar fôlego à economia dos Estados Unidos e guardar munição monetária caso a crise na Europa se deteriore rapidamente no curto prazo. O comentário foi feito à 'Agência Estado' pelo diretor de pesquisa de mercados emergentes na América Latina da Nomura Securities, Tony Volpon.

"Com esse movimento, o Fed tenta guardar na manga a terceira emissão da política de relaxamento quantitativo, o QE 3, para uma eventual piora muito intensa dos problemas da zona do euro", acrescentou Volpon. A política de relaxamento quantitativo é uma compra de títulos de Tesouro, que tem o resultado prático de injetar bilhões de dólares na economia americana.

A Operação Twist tem como objetivo "achatar" a curva de juros nos EUA, pois o Fed compra títulos públicos de longo prazo e vende bônus do governo de vencimentos curtos.

Dessa forma, os bancos ficarão com mais liquidez num contexto de política monetária extremamente acomodatícia, dado que os juros básicos da economia estão variando entre 0% e 0,25%. A tendência das instituições financeiras é tomar esses recursos para repassar a seus clientes, especialmente em operações de crédito para empresas e famílias.

"A ampliação da Operação Twist se torna um instrumento mais eficiente para estimular a economia, mesmo que seja marginalmente", comentou Volpon.

Mercado tenso. Em um dia de intensa volatilidade, o dólar encerrou a sessão no positivo, com os investidores esmiuçando o comunicado do Fed. A ampliação da operação twist foi confirmada e o entendimento imediato, citam estrategistas com base na leitura do comunicado, é de que a porta permanece aberta para uma rodada adicional de relaxamento quantitativo. A perspectiva traçada por Bernanke, reconhecendo que o Fed estava muito otimista em relação à recuperação da economia e que os últimos dados "têm sido um pouco decepcionantes", adicionou pressão sobre os mercados.

O dólar à vista fechou a R$ 2,0350, com alta de 0,25%. Na mínima, o dólar foi a R$ 2,0220 e bateu R$ 2,0370 na máxima.

A Bovespa terminou a sessão com variação negativa de 0,05% 57.166 pontos. Na máxima, o índice subiu 0,73%, enquanto na mínima a queda foi de 1,17 %.

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