Fed prevê queda de preços e não pretende aumentar os juros

Apesar disso, o presidente do BC dos EUA, Ben Bernanke, observa que condições são 'altamente incertas'

Cynthia Decloedt, da Agência Estado,

22 de agosto de 2008 | 11h16

O presidente do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA), Ben Bernanke, sinalizou que não está inclinado a elevar o juro, prevendo diminuição das pressões sobre os preços - embora tenha observado que as condições para os preços são "altamente incertas".   Veja também: Entenda a crise dos alimentos    Bernanke afirmou também que as autoridades monetárias "continuam focadas" em reduzir os riscos à economia e aos mercados financeiros, o que levou as autoridades a manter a meta dos federal funds em nível "relativamente baixo" nos empréstimos interbancários.   As autoridades do Fed apostam que a estabilidade dos preços das commodities, junto ao menor crescimento global e manutenção do controle sobre as expectativas de inflação irão eventualmente reduzir a pressão sobre os preços, disse Bernanke na abertura de sua apresentação no simpósio anual Jackson Hole do Fed de Kansas City.   "Nesse sentido, a queda recente dos preços das commodities, assim como a maior estabilidade do dólar, são sinais encorajadores", afirmou o presidente do Fed. "Se não forem revertidos, esses fatores, junto ao ritmo de crescimento, que deve ficar abaixo do potencial por algum tempo, levará à moderação da inflação ao final deste ano e no próximo ano", observou Bernanke, embora tenha classificado a perspectiva para os preços de "altamente incerta" e tenha dito que as autoridades "irão agir se necessário" para garantir que os preços fiquem sob controle.   Turbulência    Bernanke afirmou ainda que a turbulência financeira, que atingiu força de "tempestade" dias antes do simpósio Jackson Hole do ano passado, não diminuiu e que seus efeitos sobre toda a economia se torna aparente, enfraquecendo a atividade econômica e elevando o nível do desemprego.   Segundo ele, as autoridades precisam considerar maneiras de melhorar a infra-estrutura financeira. Bernanke descreveu uma série de opções, incluindo melhora na liquidação de swaps de default de crédito e uma estrutura para lidar com instituições não bancárias em caso do não pagamento de vencimentos (default).   O mercado de câmbio exibiu leve reação ao discurso do presidente do Fed. Embora tenha afirmando que as taxas dos Fed Funds estão "relativamente baixas", apesar da inflação, ele sinalizou que não estuda taxas mais altas porque espera que as pressões inflacionárias irão ceder em meio aos baixos preços das commodities. Ele disse também que a estabilidade recente do dólar é animadora.   Às 11h10 (de Brasília), o euro cedia 0,26%, para US$ 1,4831, enquanto o dólar avançava 0,94%, para 109,96 ienes. Antes de Bernanke, o euro recuava 0,35% e o dólar ganhava o mesmo 0,94% frente ao iene. Os índices de ações, por sua vez, registraram uma pequena melhora de desempenho, com Dow Jones em alta de 1,20%, Nasdaq subindo 1,02% e S&P 500 avançando 0,92% às 11h15.   (Marcílio Souza, da Agência Estado)

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