Fed provavelmente deve olhar para queda dos preços do petróleo

Fed provavelmente deve olhar para queda dos preços do petróleo

Se as autoridades do Fed colocarem mais peso na queda da inflação, eles devem adiar o aumento das taxas de juros, esperado para meados de 2015

O Estado de S. Paulo

14 Dezembro 2014 | 18h49

Muita coisa mudou na economia dos Estados Unidos desde que as autoridades do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) emitiram suas projeções econômicas, em setembro. Os preços do petróleo caíram mais de um terço, o dólar subiu 5,3% contra um ampla gama de moedas e mais de cerca de 800 mil americanos encontraram empregos.

Estes desenvolvimentos apresentam desafios que se sobrepõem à maneira como a presidente do Fed, Janet Yellen, e seus colegas do banco central vem lidando com as mudanças econômicas domésticas e com o nervosismo do exterior. Yellen vai realizar uma coletiva de imprensa na quarta-feira, após a reunião de dois dias de política do Fed, para discutir as perspectivas do banco central e planejar o início de 2015.

A queda dos preços do petróleo é um impulso para o consumidor americano. Mas os preços baixos também estão pressionando os já baixos níveis de inflação, o que potencialmente deve distanciar o país do objetivo do Fed de um aumento anual de 2% nos preços ao consumidor.

Se as autoridades do Fed colocarem mais peso na queda da inflação, eles devem adiar o aumento das taxas de juros, esperado para meados de 2015. Se colocarem maior peso sobre a força econômica subjacente, eles devem seguir o planejado, ou mesmo acelerar o aumento. Os sinais até agora são de que o Fed irá proceder como o planejado.

"A queda dos preços de energia é benéfica para a economia norte-americana", disse o presidente do Fed de Nova York, William Dudley, em um discurso no início deste mês. O vice-presidente do Fed, Stanley Fischer, disse recentemente ao Wall Street Journal que "se o mercado de trabalho continuar a se fortalecer e se enxergamos alguns sinais de que a inflação vai começar a aumentar, então a coisa natural é fazer com que a taxa de juros suba."

Para o diretor de economia financeira da IHS Global Insight, com o preço médio do petróleo em cerca de US$ 60 o barril no próximo ano (valor atual) a economia dos EUA cresceria 2,7% e o desemprego terminaria o ano em 5,5%, dentro das estimativas do Fed para suas metas de longo prazo. No entanto, sob esse cenário, a inflação ficaria, em média, apenas um pouco acima de zero em 2015.

A resposta do mundo aos preços baixos do petróleo são mais um desafio para Yellen. O resto do mundo, especialmente a zona do euro, pode não desfrutar dos mesmos benefícios, porque "o petróleo é mais importante a economia dos EUA do que é para a da Europa", explica o economista global para o Wells Fargo, Jay Bryson. Para as economias mais avançadas do mundo, "é claramente um benefício, mas não é isto que vai fazer com que a zona euro volte a crescer", disse Bryson.

A inflação baixa associada à queda dos preços do petróleo poderia aumentar a pressão sobre o Banco Central Europeu e o Banco do Japão para ampliar políticas de dinheiro fácil, mesmo com o Fed em direção à uma política de controle. Essas divergências nas políticas monetárias poderiam conduzir a um dólar ainda mais alto, exercendo novas pressões sobre as exportações americanas. Fonte: Dow Jones Newswires.

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