Fed quer ajustar metas para acalmar mercado

BC americano vai se comprometer com juros baixos por mais tempo para impedir alta no custo dos empréstimos

WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2013 | 02h09

Autoridades do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, estudam um ajuste nas metas da política monetária do país com uma promessa de manter as taxas de juros baixas por mais tempo, na esperança de evitar uma alta preocupante nos custos de empréstimos estabelecidos pelo mercado.

As principais autoridades do Fed, que vêm retirando todos os obstáculos para impulsionar a recuperação dos Estados Unidos, têm se preocupado com a possibilidade de os investidores conduzirem os rendimentos dos títulos para cima, quando chegar o momento de reduzir o programa do banco central de compras de títulos.

Os temores começam a se tornar realidade. Os rendimentos, que se movem inversamente ao preço dos títulos da dívida do Tesouro, começaram a subir com força em maio com as indicações de aumento mais forte do nível de emprego e os sinais do Fed de que pode começar a reduzir as compras de títulos, conhecidas como quantitative easing, a partir de setembro.

Com a alta da rentabilidade, algumas autoridades do Fed ficaram otimistas com a ideia de ancorar os custos de empréstimo de maneira mais firme, ao prometerem manter as taxas perto de zero, depois que a taxa de desemprego cair abaixo de 6,5%, atual limiar do Fed para considerar uma política monetária mais apertada. A taxa estava em 7,6% em junho.

Alvoroço. O presidente do Fed, Ben Bernanke, aumentou a perspectiva de redução da taxa de desemprego no mês passado, mas a mensagem foi perdida no alvoroço gerado ao dizer que o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), que estabelece as políticas do banco central, planeja encerrar as compras de títulos até meados de 2014 - um comentário que fez os rendimentos de títulos subirem.

"Eu realmente acho que há muitos membros do Fomc que vão querer manter as taxas em zero pelo tempo que for possível, particularmente no encerramento do quantitative easing", disse o economista-chefe do CME Group, Bluford Putnam, que também é ex-economista do Fed de Nova York. O presidente do Fed de Minneapolis, Narayana Kocherlakota, defendeu a ideia há quase um ano, ao pedir um nível de 5,5% para a taxa de desemprego - e ele não voltou atrás desde então.

As autoridades dizem que a opção de diminuir o nível do desemprego está em cogitação, mas não é uma certeza. Porém, as recentes oscilações no mercado de títulos tornam a opção ainda mais atraente.

O rendimento do título do Tesouro com vencimento em dez anos, que é utilizado como referência para as taxas hipotecárias e outros tipos de taxas de empréstimo, vem subindo cerca de 1 ponto porcentual nos dois últimos meses. / REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.