Fed reduz previsão para economia dos EUA e renova programa de estímulo

Bernanke afirma que estava otimista demais com a recuperação dos EUA e que os dados recentes têm sido 'um pouco decepcionantes'

WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2012 | 03h08

O Federal Reserve (banco central dos Estados Unidos) decidiu ontem estender o estímulo monetário e reduzir as previsões sobre o crescimento da economia americana. A autoridade monetária informou estar preparada para, caso necessário, lançar novas medidas para dar fôlego à recuperação da atividade, que corre risco de estagnar.

Segundo o presidente do Fed, Ben Bernanke, novas ações para estimular a economia americana podem ser adotadas se a situação se deteriorar. Bernanke disse que é preciso estar preparado para mais turbulências vindas da Europa.

De acordo com ele, se as condições econômicas permitirem, o Fed pode decidir expandir ainda mais seu balanço patrimonial, atualmente em US$ 2,9 trilhões. "Nós ainda temos um espaço considerável para fazer mais, e o Fed vai certamente considerar um aumento do balanço", comentou.

Bernanke acrescentou que o Fed estava otimista demais com a recuperação da economia e que os dados econômicos mais recentes têm sido "um pouco decepcionantes".

Preocupado com as restrições nos mercados financeiros globais provocadas pela crise que atinge a Europa, o Fed prorrogou até o fim deste ano a "Operação Twist", por meio da compra de US$ 267 bilhões em ativos de prazo mais longo.

A finalidade da Operação Twist é reduzir as taxas de juros de longo prazo por meio da venda de títulos de curto prazo e utilizar os recursos arrecadados para comprar títulos de prazo mais longo. Anunciado em setembro de 2011, o programa estava previsto para terminar no fim deste mês.

"Essa continuidade do programa de extensão de vencimento deve diminuir a pressão sobre as taxas de juros de longo prazo e ajudar a deixar as condições financeiras mais acomodatícias", informou o Fed em comunicado após a reunião.

O Fed também reduziu suas estimativas para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA deste ano para a faixa de 1,9% a 2,4%. Em abril, a previsão era de expansão de 2,4% a 2,9%. O banco central americano baixou também as previsões para 2013 e 2014.

Autoridades do Fed acreditam também que o mercado de trabalho está se recuperando mais lentamente que o previsto há dois meses. A previsão é que a taxa fique levemente acima de 8% para o resto do ano. Em maio, a estimativa era de 8,2%.

De acordo com Bernanke, o mercado de trabalho continua a ser o principal fator por trás das decisões de política monetária. Mas ele destacou que a crise da dívida na Europa gera ventos contrários significativos para a economia americana. "A situação europeia está desacelerando o crescimento econômico nos EUA. Isso afeta nosso comércio com a Europa, acrescenta volatilidade e tem feito os preços das ações caírem."

Reação. Os mercados financeiros reagiram de várias maneiras à Operação Twist. As ações americanas subiram e desceram, enquanto os preços de bônus subiram brevemente. Já o dólar recuou ante o euro e se valorizou em relação ao iene.

O Fed informou ainda que manteve as taxas de juros entre zero e 0,25% e manteve a indicação de que as taxas devem ficar próximas de zero até pelo menos o fim de 2014. Antes da reunião desta semana, economistas estavam divididos sobre se o Fed decidiria que mais estímulo monetário seria necessário agora. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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