Fed segura o juro básico, mas pressões aumentam

Há muita incerteza sobre a evolução da taxa básica de juros americana em futuro próximo

O Estado de S.Paulo

10 de fevereiro de 2017 | 03h00

Apesar de o comportamento da economia americana poder fundamentar um aumento dos juros, o Comitê Federal de Open Market (Fomc) do Federal Reserve (Fed) Board preferiu agir com cautela, mantendo a taxa básica em 0,50% a 0,75%, na primeira decisão tomada desde que o presidente Donald Trump tomou posse, em janeiro. O Fed reconheceu que a economia dos EUA está mais aquecida, com bom movimento de vendas e taxa de desemprego em 4,7%, nível bem próximo ao pleno-emprego. O fato é que, apesar da enxurrada de medidas do novo presidente, algumas delas traumatizantes, nada foi definido quanto às promessas de reduzir impostos para as empresas e implementar um ambicioso programa de renovação da infraestrutura.

Para o Brasil, a recente decisão do Fed, depois de ter elevado em dezembro a taxa básica de juros em 0,25 ponto porcentual, veio atenuar os temores de que um grande volume de recursos migre para títulos do Tesouro dos EUA. De fato, a entrada de recursos externos tem sido substancial no País neste início de ano e se pode dizer que muitos investidores já antecipavam a manutenção da taxa básica americana este mês, como mostra a queda da cotação do dólar no Brasil nos últimos dias.

Mas há muita incerteza sobre a evolução da taxa básica de juros americana em futuro próximo, devendo ser tomada em março a segunda das quatro decisões do Fomc sobre o tema neste ano. Ainda que Trump possa adotar uma política que tenha impacto fiscal, ela deve ainda levar algum tempo para ser colocada em prática. A curto prazo, o que pode ter mais influência é a expansão do mercado de trabalho, que tende a levar as empresas a aumentar os salários para atrair mão de obra (a contratação de novos trabalhadores, por sinal, chegou a 265 mil em janeiro, superando a estimativa de 165 mil). Com salários em alta, poderia haver uma aceleração da inflação, o que levaria o Fed a elevar a taxa básica.

A meta de inflação do banco central americano foi fixada em 2% ao ano e, por enquanto, o índice de preços que baseia a política monetária está em 1,6%. As pressões inflacionárias constituiriam a “surpresa desagradável” a que aludiu recentemente a presidente do Fed, Janet Yellen.

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