Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Fed sinaliza que deve elevar juros novamente em breve

Segundo ata do BC americano, caso a economia se comporte como esperado atualmente, 'seria apropriado dar mais um passo' na elevação das taxas

Gabriel Bueno da Costa, Monique Heemann e Nicholas Shores, O Estado de S.Paulo

22 Agosto 2018 | 16h49

Os dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) sinalizaram em sua última reunião que uma alta de juros em breve é "provavelmente apropriada". Ao mesmo tempo, discutiram em mais detalhes suas preocupações sobre o risco de que disputas comerciais possam prejudicar o crescimento econômico.

Caso a economia se comporte como esperado atualmente, "seria apropriado dar mais um passo" na elevação das taxas, segundo a ata da última reunião, divulgada nesta quarta-feira, 22.

No encontro encerrado em 1º de agosto, o Fed decidiu manter os juros entre 1,75% e 2,00%. Em junho, a maioria dos dirigentes projetou um total de quatro altas de juros neste ano. A ata da última reunião mostra que os dirigentes avaliam que os riscos para a perspectiva econômica estão equilibrados, neste momento.

PIB

Os dirigentes apontaram que o Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos do segundo trimestre foi impulsionado por fatores transitórios, como o aumento das exportações.

Para o segundo semestre deste ano, o documento aponta que os dirigentes esperam uma desaceleração no crescimento do PIB, devido aos fortes números do indicador no segundo trimestre deste ano. As autoridades "observaram uma série de fatores econômicos favoráveis que apoiavam o crescimento do PIB acima da tendência, que incluíam um mercado de trabalho forte, políticas estimulantes de impostos e gastos federais, condições financeiras acomodatícias e altos níveis de confiança doméstica e empresarial."

A equipe de economistas acredita também que os gastos das famílias e os investimentos de empresas no país podem se expandir mais rapidamente ao longo dos próximos anos do que se projetava anteriormente com o apoio dos cortes de impostos em vigor desde o fim de 2017, revela a ata da mais recente reunião de política monetária da instituição, divulgada nesta quarta-feira.

Ainda assim, a projeção da equipe para a inflação medida pelo índice de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) em 2018 foi revisada "um pouco para baixo, principalmente por causa de um aumento mais devagar do que o esperado em preços de energia ao consumidor no segundo trimestre e uma revisão para baixo da projeção para a inflação de energia no segundo semestre".

Nos 12 meses encerrados em junho, de acordo com o Departamento do Comércio dos EUA, o PCE apontou inflação de 2,2%, enquanto o núcleo do indicador, que exclui mudanças nos preços de alimentos e energia, avançou 1,9% no mesmo período.

Não obstante a preocupação despertada na frente do comércio, os assessores econômicos do BC americano revisaram a projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2018 "um pouco para cima, primariamente em resposta a dados mais fortes sobre gastos das famílias". 

Ainda assim, "projetou-se que o PIB real aumentará no segundo semestre deste ano a um ritmo apenas um pouco mais devagar que o do primeiro semestre do ano", segundo a ata. Adicionalmente, a equipe alerta sobre como restrições de oferta podem limitar a expansão da produção no médio prazo.

Mercado de trabalho

Os dirigentes concordaram que o mercado de trabalho americano continua se fortalecendo e que "a atividade econômica tem crescido a um ritmo forte". Na ata divulgada hoje, referente à última reunião de política monetária, afirmaram que a economia evoluiu "como eles esperavam".

No entanto, com as condições do mercado de trabalho "apertadas", os dirigentes continuaram a acreditar que a queda projetada na taxa de desemprego será atenuada por uma melhora cíclica "maior do que a usual" na taxa de participação da força de trabalho. / COM DOW JONES NEWSWIRES

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