Fed tem menos fôlego para conter crise, diz ex-dirigente

Segundo ex-governador do BC dos EUA, instituição já tem mais de metade de seus recursos comprometidos

Agência Estado e Reuters,

17 de março de 2008 | 13h14

O ex-governador do Federal Reserve (banco central dos EUA) Larry Meyer afirmou nesta segunda-feira, 17, que a instituição financeira está "agora andando com menos de meio tanque de combustível".  Veja também:Governo acompanha bolsas e agirá quando necessário, diz BushBCs injetam recursos para socorrer bancosBovespa cai mais de 4%, acompanhando mercados mundiaisCrise no mercado global está maior, diz diretor-gerente do FMIJPMorgan compra o Bear Stearns por US$ 236 milhões Entenda a crise nos Estados Unidos   O sobe e desce do dólar Veja os efeitos da desvalorização do dólarJPMorgan e Fed intervêm para socorrer seguradora dos EUA   O Fed tem cerca de US$ 700 bilhões em Treasuries, diz Meyer, e "em termos de comprometimento potencial dos Treasuries detidos pelo Fed, já foram comprometidos US$ 100 bilhões com o TAF (leilão a termo), US$ 100 bilhões em programas de recompra, US$ 200 bilhões com TSLF (Linha de Empréstimo de Títulos a Termo), US$ 30 bilhões ao Bear Stearns e um montante não específico por meio da janela de redesconto e com a linha anunciada ontem (domingo), o Primary Dealer Credit Facility". "O Fed está respondendo agressivamente, mas sua capacidade é limitada", escreveu. Nesta segunda, o JP Morgan Chase anunciou um acordo para comprar o rival Bear Stearns a um preço irrisório, enquanto o Fed ampliou os empréstimos ao mercado pela primeira vez desde a Grande Depressão.  O noticiário é o maior sinal até agora de quão devastadora é a crise de crédito para Wall Street e jogou o dólar ao patamar mínimo histórico frente ao euro, derrubou as ações na em todo o mundo e impulsionou o ouro. O Fed também anunciou um corte de 0,25 ponto percentual na taxa de redesconto e concordou em financiar até US$ 30 bilhões dos ativos do Bear Stearns, ao mesmo tempo em que o secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson, sustentou que o governo está preparado para "fazer o que for preciso" para manter a estabilidade no sistema financeiro.  Além disso, outros BCs divulgaram intervenções nos mercados nesta segunda, na tentativa de evitar o colapso de outros bancos em decorrência da crise nos EUA. Para tentar acalmar os investidores, o Banco do Japão injetou 400 bilhões de ienes no mercado interbancário de curto prazo depois que a taxa overnight subiu para 0,52%, acima da taxa básica de 0,50% da autoridade monetária. A ação fez com que a taxa caísse para cerca de 0,505%. O banco central da Austrália também conseguiu conter os juros ao injetar líquidos A$ 383 milhões. O Banco Central da Inglaterra também anunciou que realizará operação semelhante nesta segunda. O BC inglês também informou nesta segunda que irá oferecer 5 bilhões de libras esterlinas (US$ 10,04 bilhões) - equivalente a 25% da meta de recursos. Este montante extra será introduzido no mercado interbancário por meio de operação de recompra de títulos para três dias, ou seja, até o dia do leilão regular de recompra do BC inglês.  "Esta ação está sendo tomada em resposta às condições dos mercados de crédito de curto prazo nesta manhã", disse o BC inglês em nota divulgada em seu website. "O banco irá tomar atitudes para garantir que a taxa de juro overnight fique próxima à taxa do banco".   Novo corte  Diante de uma economia que já pode estar em recessão, a expectativa é de que o Fed tome mais uma ação nesta terça-feira com um corte da taxa básica de juro de até 1,25 ponto percentual. Até agora, o banco central norte-americano já cortou o juro básico em 2,25 pontos, para 3%.  A última decisão do Fed, no final de semana, foi vista como uma tentativa de evitar que outros sofram o mesmo destino do Bear Stearns, quinto maior banco de investimento dos EUA.  O JP Morgan está pagando apenas US$ 2 por ação do Bear, ou um total de 236 milhões de dólares. O preço é um quinze avos da cotação de sexta-feira e muito distante do preço recorde de US$ 172,61 alcançado no ano passado.  "É assustador o que isso indica sobre o valor dos ativos financeiros", disse Emanuel Weintraub, diretor-gerente do Integre Advisors.  'Apocalypse now'  O Bear Stearns, que tem mais de 14 mil funcionários, negocia derivativos com diversos bancos globalmente. Se falir, seus parceiros podem ter grandes perdas e parar de emprestar --paralisando o sistema financeiro global.  "Não seria apenas problema do Bear, seria um problema de todos", comentou Marino Marin, um banqueiro de investimentos do Gruppo, Levey & Co, que já reestruturou bancos. "Seria o apocalipse."  Foi por isso que as autoridades monetárias se mexeram no domingo. O Fed cortou a taxa de redesconto para 3,25% e divulgou um novo programa de empréstimos para os dealers primários.  "Momentos desesperados exigem medidas desesperadas. O Federal Reserve está fazendo o que pode para restabelecer a estabilidade", disse Craig James, economista-chefe para ações do CommSec, em Sydney.  A expectativa é de que o JP Morgan feche o negócio com o Bear Stearns até o final do segundo trimestre. O banco já conseguiu a aprovação inicial do Fed e de outros reguladores federais.

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