Fed teme contágio da crise europeia

Ata do banco central americano vê risco para a recuperação econômica mundial

, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2010 | 00h00

WASHINGTON

As autoridades do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) acreditam que os temores com a situação fiscal e as dívidas soberanas de alguns países da zona do euro poderão limitar a recuperação da economia mundial e ter impactos negativos sobre os mercados financeiros dos Estados Unidos, de acordo com a ata da reunião de 27 e 28 de abril.

"As condições econômicas externas, especialmente em diversas economias emergentes asiáticas, continuou a se fortalecer nos últimos meses, contribuindo para ganhos nas exportações dos EUA", diz a ata, destacando, no entanto, que as autoridades "consideraram o aumento dos apertos fiscais na Grécia e a disseminação dos receios com outros países periféricos europeus como um peso sobre as condições financeiras e a confiança na zona do euro".

Segundo a ata, "se outros países europeus responderem com a intensificação dos esforços de consolidação fiscal, o resultado provavelmente será um crescimento menor na Europa e uma recuperação econômica mundial potencialmente mais fraca". O documento diz ainda que "alguns participantes expressaram receios com os efeitos adversos de uma crise na Grécia sobre os mercados financeiros americanos, o que poderia diminuir a recuperação" nos Estados Unidos.

Ainda assim, a ata mostrou que o Fed espera um crescimento de 3,2% a 3,7% na economia dos Estados Unidos em 2010. A previsão é maior do que a divulgada em janeiro, quando as autoridades esperavam uma expansão de 2,8% a 3,5% no Produto Interno Bruto (PIB) americano durante o mesmo período.

Embora acreditem que a economia do país está se recuperando, as autoridades do Fed esperam que a inflação permaneça abaixo de 2% e o desemprego siga acima de 9% até 2012. Isso coloca o banco central numa posição forte para manter as taxas de juro de curto prazo em níveis próximos a zero "por um período prolongado". Ainda segundo a ata, as autoridades do Fed estimaram que o núcleo da inflação - que não considera os preços de alimentos e de energia - ficaria entre 0,9% e 1,2% em 2010.

Inflação. O índice de preços ao consumidor (CPI, pelas iniciais em inglês) nos EUA caiu 0,1% em abril, em relação a março, por causa do recuo nos preços da energia, imóveis, veículos e vestuário, informou ontem o Departamento de Comércio. Foi a primeira queda do índicedesde março de 2009. Em um ano, o índice subiu 2,2%. Se excluídos os preços de alimentos e energia, que são os mais voláteis, o núcleo do CPI, se manteve estável no mês passado. Assim, o núcleo da inflação em um ano foi de 0,9%, o menor desde janeiro de 1966. / DOW JONES NEWSWIRES

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