Fed vai discutir fim da recompra de títulos

Adotado desde 2008, mecanismo evitou uma segunda recessão nos EUA e estimulou a retomada dos investimentos no mercado de ações

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE/ WASHINGTON

O banco central dos Estados Unidos, Federal Reserve (Fed), reúne-se amanhã para discutir a eliminação do mecanismo de recompra de títulos do Tesouro americano em junho, como previsto inicialmente, e as medidas necessárias para enfrentar o período de maior volatilidade previsto para os meses seguintes.

A principal decisão do Fed dirá respeito ao mecanismo de injeção de US$ 600 bilhões na economia ao longo deste semestre, por meio da recompra de títulos do Tesouro. Chamado de quantitive easing (afrouxo quantitativo, na tradução livre, ou QE2), esse programa afastou o risco de deflação e estimulou a retomada de investimentos no mercado de ações e em outros ativos com maior risco e melhor retorno do que os papéis do Tesouro. Entre novembro de 2008 e março de 2010, com o QE1, o Fed havia recomprado US$ 1,7 trilhão em títulos do Tesouro e em dívida imobiliária. Seu benefício foi evitar uma segunda recessão.

Ao final da reunião, o presidente do Fed, Ben Bernanke, dará sua primeira entrevista coletiva desde 2006, quando assumiu o posto. Há expectativa de sinalização da autoridade monetária americana sobre o aumento dos juros de curto prazo. A elevação da taxa básica de juros dos EUA, próxima a zero desde dezembro de 2008, terá impacto direto sobre as economias emergentes receptoras de fluxos de capitais nos últimos anos, entre as quais o Brasil. Não por acaso, a principal recomendação do Fundo Monetário Internacional (FMI), do Banco Mundial (Bird) e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), há duas semanas, foi de preparação dessas economias para uma eventual saída de capitais, em busca de retorno financeiro mais atraente e da segurança dos papéis americanos.

O FMI claramente se opõe a um aumento brusco nos juros americanos por considerar a economia dos EUA ainda vulnerável e o impacto negativo dessa medida sobre os emergentes. A iniciativa tomada no início deste mês pelo Banco Central Europeu, de aumentar os juros básicos para 1,25%, foi criticada no encontro de primavera da entidade.

O Fed também deverá concluir sua própria análise sobre a tendência da atividade, da inflação e do desemprego no país, já munido do indicador do crescimento da economia no primeiro trimestre. A previsão é de expansão inferior a 2% no período por conta do aumento dos custos de energia e da tragédia no Japão. E bem abaixo das expectativas iniciais, em torno de 3%. Para o ano, o próprio Fed deverá trazer projeções mais baixas do que as de janeiro, quando previu expansão entre 3,4% e 3,9%.

"O fato de os americanos ainda se sentirem estressados é verdadeiro hoje, foi verdade há um mês e será assim daqui a um mês porque nós ainda estamos tentando sair de um buraco muito fundo", resumiu o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney.

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