Fed vê começo de recuperação após 20 meses de recessão nos EUA

Banco central americano mantém taxa de juros entre 0 e 0,25% e prorroga compra de US$ 300 bi em títulos

Gustavo Chacra, O Estadao de S.Paulo

13 de agosto de 2009 | 00h00

Depois de 20 meses de recessão, a economia americana começa a se recuperar, apesar de ainda continuar fraca, segundo informou o Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) em comunicado ontem, ao anunciar a manutenção da taxa de juros numa margem de 0 a 0,25% e a prorrogação até outubro do programa de compra de US$ 300 bilhões em títulos do Tesouro americano.O fato de o Fed não ter ampliado os valores de compras de títulos foi interpretado pelo mercado financeiro como um sinal de que o banco central americano prepara a saída da crise. Dois anos depois de iniciar o resgate da economia, o Fed já vê sinais do fim da recessão nos EUA. No comunicado, o Fed indica uma recuperação da economia, mas prefere não alterar rapidamente a sua estratégia por causa da fragilidade do atual cenário, ainda que este seja bem melhor que no do início do ano.Nas últimas semanas, uma série de boas notícias foi divulgada. O desemprego parou de subir depois de 15 meses e a queda do PIB no segundo trimestre foi bem menor que a prevista, alimentando a expectativa que a economia vai crescer no terceiro trimestre."A atividade econômica está se recuperando", começa o comunicado do Fed divulgado ontem, após dois dias de reunião do comitê responsável pela taxa de juros. Segundo o Fed, "as condições nos mercados financeiros melhoraram nas últimas semanas e as famílias continuam a dar sinais de estabilização nos gastos, mas ainda estão contidas pela contínua perda de empregos, menos crescimento na renda e crédito restrito". O Fed acrescentou que "as empresas ainda mantêm o corte em investimentos fixos e pessoal, mas progridem ao alinhar os estoques com as vendas". Na terça-feira, o Departamento do Comércio informou que atacadistas têm queimado estoques, que estão no limite. Isso indica que a produção deve crescer nos próximos meses para reposição de estoques.Descartando o aumento da "inflação por algum tempo", apesar do crescimento dos preços na área energética e em algumas commodities, "o comitê continua antecipando que as ações políticas para estabilizar os mercados e instituições financeiras, os estímulos monetário e fiscal e as forças de mercado contribuirão para uma retomada gradual de um crescimento econômico sustentável em um contexto de estabilidade de preços". Nessas circunstâncias, o comitê decidiu, por unanimidade, que a taxa de juros seguirá dentro da meta de "0 a 0,25% por um período longo", sem determinar até quando. O Fed também informou que prorrogará até outubro a compra de US$ 300 bilhões de títulos do Tesouro. A ação estava prevista para acabar em setembro. Seu objetivo é reduzir os juros de longo prazo, baixando os custos dos empréstimos para a compra de casas e investimentos. Essa foi uma das medidas tomadas pelo Fed nos últimos dois anos para evitar uma depressão na economia. O mercado recebeu bem o comunicado, com o Dow Jones subindo 1,3%, o Nasdaq 1,47% e a S&P 500 1,15%. O clima no último mês se alterou na economia e a discussão deixou de ser sobre os riscos de a crise se aprofundar e passou a ser sobre o prazo para a recuperação.

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