Fed vê 'contração aguda' em 2009 e desemprego acima de 8%

PIB dos EUA vai sofrer uma contração de 0,5% a 1,3%; taxa de desemprego está em nível mais alto em 16 anos

Suzi Katzumata, da Agência Estado

18 de fevereiro de 2009 | 16h48

O presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, disse que a taxa de desemprego nos EUA, atualmente no nível mais alto em 16 anos a 7,6%, deve exceder os 8% nos próximos meses. E, a menos que os formuladores da política sejam capazes de reforçar o sistema bancário, outros esforços monetários e fiscais com objetivo de reativar a economia não vão produzir o resultado esperado, alertou Bernanke.   O Fed vê "uma contração continuada e aguda na atividade econômica real" e rebaixou suas projeções para o desempenho da economia em 2009. É o que diz a ata da reunião do Comitê de Mercado Aberto do Fed (Fomc) realizada nos dias 27 e 28 de janeiro.   Veja Também: De olho nos sintomas da crise econômica  Dicionário da crise  Lições de 29 Como o mundo reage à crise   O Fed agora prevê que o PIB dos EUA vai sofrer uma contração de 0,5% a 1,3% em 2009; a projeção anterior, de outubro de 2008, estava na faixa de +1,1% a -0,2%. A projeção para o PIB em 2010 é um crescimento de 2,5% a 3,3%; para 2011, o Fed prevê um crescimento de 3,8% a 5%. As projeções de crescimento, desemprego e inflação do Fed normalmente são para os próximos três anos, mas a instituição estendeu o horizonte de suas previsões para um prazo mais longo, de cinco a seis anos.   Em resposta a perguntas da audiência depois de discursar em um almoço no Clube Nacional da Imprensa, Bernanke também disse que o Fed fez todo o esforço possível para salvar o Lehman Brothers do colapso ocorrido na metade de setembro de 2008, mas que as circunstâncias específicas do Lehman eram diferentes daquelas do Bear Stearns e da American International Group (AIG), que sofreram a intervenção do Fed.   As consequências da falência do Lehman devem aposentar a ideia, que alguns sustentavam, de que se deve permitir a falência de uma grande instituição financeira, disse Bernanke.   O presidente do Fed também disse que a demanda por Treasuries permanece muito forte, mas "quando pararmos de sangrar", os EUA devem retornar para uma posição fiscal mais sustentável. As informações são da Dow Jones.   Fed Funds   Bernanke disse que a taxa dos Fed Funds - atualmente próxima de zero - está "quase tão baixa quanto possa ir" e, com a intensificação da recessão, o banco central norte-americano tem poucas opções que não sejam os programas de crédito. Com a política monetária incapaz de proporcionar muito estímulo adicional, o foco também mudou para a política fiscal para dar reativar a economia.     Bernanke classificou os indicadores econômicos como "desanimadores", acrescentando que muitas economias, "incluindo a nossa", estão em recessão.   Pela segunda vez seguida, Bernanke não mencionou a possibilidade de o Fed comprar Treasuries de longo prazo em uma tentativa para reduzir as taxas de juro do mercado. Ele lançou a ideia no início de dezembro e voltou a mencioná-la em um discurso em janeiro. O Fed também tem mencionado tal possibilidade em seu dois últimos comunicados de política monetária.   Contudo, Bernanke não mencionou a compra de Treasuries em seu depoimento ao Congresso na semana passada ou no discurso de hoje, sugerindo que a ideia pode ter sido arquivada enquanto o Fed se concentra em seus outros programas de crédito.  

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