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Federação do comércio pede fim do IGP como indexador

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP) pediu na sexta-feira à presidente Dilma Rousseff e ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, que o governo federal descarte a família do Índice Geral de Preços (IGP) como indexadora na economia nacional. Para a entidade, o IGP está "ultrapassado" e tem "parâmetros questionáveis" que, em certas ocasiões, alimentam a inflação por conta da sensibilidade a choques cambiais e por possibilitar dupla incidência de preços no índice final. O IGP, que muitas vezes possui média superior ao de outros índices de preços, é utilizado para correção da dívida dos Estados, tarifas públicas e aluguéis.

WLADIMIR D'ANDRADE, Agencia Estado

24 de outubro de 2011 | 08h54

"Suas oscilações são provocadas por ocorrências pontuais e passageiras que invariavelmente acabam por contaminar todos os demais preços na economia, uma vez utilizado como correção de aluguéis (comerciais e residenciais) e das tarifas públicas", afirma a Fecomercio-SP, em parecer enviado pelo presidente da entidade, Abram Szajman, a Dilma e ao ministro. "Essa acidentalidade, incorporada aos contratos, acaba por refletir-se sequencialmente nos demais indicadores, como os do custo de vida, realimentando a cadeia inflacionária."

O IGP, calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) em três versões (IGP-M, IGP-DI e IGP-10), é composto em 60% pelo Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), em 30% pelo Índice de Preço ao Consumidor (IPC) e em 10% pela variação do Índice Nacional da Construção Civil (INCC), fórmula que permite a dupla incidência de preços no índice final, segundo a federação. "Reunir 60% de um com 30% de outro e 10% de um terceiro produz um resultado que não serve para medir o todo nem cada uma de suas partes", alega a instituição.

Para a entidade, há hoje outros indicadores de preços que dão espaço para a extinção do IGP, que até o final dos anos 1970 era o indicador oficial da inflação no Brasil, como aqueles voltados para o consumidor - Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), Índice Nacional de Preços Ao Consumidor (INPC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, e Índice de Preços ao Consumidor (IPC), da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) -, além do Índice de Preços ao Produtor (IPP), do IBGE, que avalia os custos de produção. "Os instrumentos de acompanhamento dos preços têm evoluído muito, comprovando a fragilidade técnica do IGP", afirma a Fecomercio-SP.

Indexação

A carta enviada ao governo federal defende, de modo geral, o fim da indexação da economia brasileira, que segundo a federação contribui para o processo inflacionário no País. Para a federação, a indexação que no passado permitiu o funcionamento do mercado em momentos de alta inflação, hoje se transformou em um "vício" da economia nacional, "acostumando os agentes econômicos a fugirem do risco dos negócios".

A Fecomercio-SP pede à União que avalie "as possibilidades de promover um processo definitivo de desindexação no País, tanto para o setor privado quanto para o público, substituindo-o pela liberdade plena de negociação contratual entre as partes".

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