Federações do Comércio criticam manutenção da Selic

A Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP) avalia que a recuperação da atividade nos setores de comércio e serviços deverá ser mais lenta e em menor grau do que se previa, diante da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter inalterada a Selic, a taxa básica de juro. "Não vemos motivo para este excesso de conservadorismo", afirma o presidente da Fecomercio-SP, Abram Szajman.Ele explica que os índices inflacionários - maior preocupação do governo para o cumprimento da política monetária - estão dando sinais de queda, enquanto a disposição do consumidor para ir às compras é cada vez menor.Até o fim do ano passado, havia expectativa de que já a partir do segundo trimestre de 2004 o comércio começasse a reagir, impulsionado pela recuperação do crédito que se deu nos últimos meses do ano. Contudo, na avaliação da Fecomercio-SP, a estagnação na queda da Selic desde o mês passado interrompe uma trajetória que mostraria seu melhor resultado depois de passados os primeiros meses do ano - época em que sazonalmente o setor registra vendas menores e em que o consumidor está menos apto a gastar.Ainda assim, a entidade prevê que o comércio deverá ter resultados melhores do que os registrados no mesmo período do ano passado, porque a base de comparação (ou seja, o desempenho do setor em 2003) é muito fraca.Comércio no RioA Federação do Comércio do Rio de Janeiro (Fecomercio-RJ) também não gostou da decisão do Comitê de manter a Selic inalterada em16,5% ao ano. Segundo o presidente da entidade, Orlando Diniz, "a decisão não pode ser bem recebida pelo setor do comércio de bens e serviços, que amargou queda no faturamento de mais de 3,6% em 2003", afirma, em nota divulgada pela entidade. "Os últimos resultados do nível de atividade mostram que não há espaço para pressões inflacionárias via demanda. A Fecomercio-RJ espera que essa medida represente apenas uma parada para ´ganhar fôlego´. Não acreditamos que a decisão seja um indicativo de que o Banco Central considera ideal esse patamar de juros para a economia brasileira", conclui a nota.

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