Leah Millis/ Reuters
Leah Millis/ Reuters

Federal Reserve diz que vai manter juros até mercado atingir o pleno emprego

Banco central americano também afirmou que o aumento da inflação foi provocado por gargalos na cadeia global de abastecimento

Iander Porcella, O Estado de S.Paulo

09 de julho de 2021 | 15h25

O banco central dos Estados Unidos, Federal Reserve (Fed), divulgou nesta sexta-feira, 9, que é "apropriado" manter a taxa básica de juros no nível atual até que as condições do mercado de trabalho estejam consistentes com o máximo emprego. O documento será apresentado pelo presidente da instituição, Jerome Powell, ao Congresso na próxima semana.

Os juros devem permanecer na faixa entre 0% e 0,25% até que a inflação suba para 2% e esteja no caminho para exceder "moderadamente" esse nível "por algum tempo". Segundo o BC americano, a política monetária continuará a fornecer suporte à atividade econômica até que a recuperação da crise gerada pela pandemia de covid-19 esteja concluída e destaca que o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) está preparado para ajustar a política "conforme apropriado".

No primeiro semestre deste ano, o emprego nos Estados Unidos permaneceu "bem abaixo" dos níveis anteriores à pandemia de covid-19, embora tenha se recuperado parcialmente. "Embora a melhoria do mercado de trabalho tenha sido rápida, a taxa de desemprego permaneceu elevada em junho e a participação da força de trabalho não aumentou em relação às taxas baixas que prevaleceram durante grande parte do ano passado", ponderou a autoridade monetária.

O aumento da demanda das empresas por mão de obra ultrapassou a recuperação da oferta de trabalho. Esse cenário, por sua vez, resultou em um salto na abertura de vagas de emprego e em um aumento nos ganhos salariais nos últimos meses.

O mercado tem se preocupado com um possível aumento da inflação, especialmente por causa dos estímulos. Sobre isso, o Fed disse que as expectativas de inflação de longo prazo no mercado aumentaram desde o final de 2020, mas estão em uma faixa que é "amplamente consistente" com a execução de meta.

A inflação aumentou recentemente por causa de gargalos nas cadeias globais de abastecimento e outros fatores "transitórios", segundo o Fed. O aumento também reflete a base de comparação, já que os preços despencaram em igual período de 2020. 

De acordo com o banco central americano, a pressão mais duradoura veio dos preços de bens que são afetados pelos problemas nas cadeias de produção, como veículos motorizados e eletrodomésticos. Os serviços do setor de turismo também aumentaram em direção a níveis mais normais, à medida que a demanda se recuperou. 

Compra de ativos

O Federal Reserve afirmou que as compras de ativos, realizadas por meio do programa de relaxamento quantitativo (QE, na sigla em inglês), continuarão no ritmo atual até que haja "progresso substancial" em direção às metas do banco central americano. 

Desde março de 2020, o Fed compra mensalmente US$ 120 bilhões entre Treasuries e títulos atrelados a hipotecas (MBS, na sigla em inglês). O objetivo é reduzir juros de longo prazo na economia e fornecer liquidez ao sistema financeiro, para diminuir os efeitos da pandemia de covid-19. Nas últimas semanas, contudo, o BC dos Estados Unidos iniciou um debate sobre o fim desses estímulos.

"Nas próximas reuniões, o Comitê continuará avaliando o progresso da economia em direção a essas metas (de inflação e emprego) desde que o Comitê adotou seu guidance de compra de ativos", disse a autoridade monetária no relatório.

Segundo o Fed, as compras de ativos ajudam a promover o funcionamento regular do mercado e condições financeiras acomodatícias, o que, por sua vez, apoia o fluxo de crédito para as famílias e as empresas.

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