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Federal Reserve e analistas divergem sobre economia dos EUA

Um seminário promovido nesta terça-feira pelo banco HSBC, que reuniu centenas de analistas da City londrina, serviu para demarcar com clareza as dúvidas e o intenso debate em curso sobre os rumos da economia dos Estados Unidos. De um lado, analistas graduados do banco britânico, refletindo a opinião de muitas outras instituições financeiras, alertaram que o ritmo de atividade na maior economia do mundo deve sofrer nos próximos meses uma queda acentuada, e uma recessão, embora improvável, não pode ser descartada. O impacto, ou "contágio" disso sobre outros países, afirmaram, será chave para o comportamento da economia mundial em 2007.Mas, em contraste, o presidente do Federal Reserve de Dallas, Richard Fisher, demonstrou uma avaliação muito mais benigna do cenário nos Estados Unidos, tendo inclusive um impacto altista imediato nos juros das letras do Tesouro norte-americano. Ele disse que o desaquecimento no setor imobiliário está ocorrendo de uma forma gradual, e seu efeito sobre a economia não deve "ser exagerado". Segundo Fisher, com exceção do mercado de imóveis e automobilístico, outros setores da economia norte-americana operam "a todo vapor". Fisher salientou que em algumas áreas há carência de trabalhadores.Ele não descartou inclusive a necessidade de o Fed ter que elevar novamente os juros caso a inflação, que continua num patamar elevado, não caia. Essa perspectiva que bate de frente com a maioria dos analistas do mercado, que apostam que o próximo movimento monetário nos Estados Unidos será de corte nos juros. "Estamos muito confortáveis com nossa política monetária (no Fed) e parece que já fizemos o suficiente para conter a inflação", disse Fisher. "Acreditamos que o aperto monetário já realizado e a desaceleração econômica irão moderar a inflação, mas se isso não ocorrer tomaremos as providências necessárias.""Contágio"Para o economista-chefe do HSBC, Stephen King, a situação é um pouco mais preocupante. Segundo ele, uma acentuada queda dos preços no mercado imobiliário vai enfraquecer os gastos dos consumidores, reduzir os lucros das empresas e resultar num menor crescimento mais lento do PIB. "Isso vai atenuar a pressão inflacionária e sinaliza cortes nos juros pelo Fed", disse King. Segundo ele, o ritmo e a duração desse desaquecimento econômico será fundamental para ser medir o grau de "contágio" na economia mundial.O estrategista-chefe para câmbio do HSBC John Lomax, observou que uma das conseqüências da desaceleração econômica e queda nos juros nos Estados Unidos em 2007, será uma desvalorização do dólar. Essa queda, ser for gradual e controlada como ele espera , será benéfica pois ajudará a reverter o déficit em conta corrente norte-americano e corrigir os desequilíbrios atuais na economia mundial. "Se vocês querem um melhor futuro para suas crianças, torçam por uma queda do dólar em 2007", disse Lomax.

Agencia Estado,

10 de outubro de 2006 | 18h52

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