Feijão sobe 150% no ano e vira o vilão da inflação

No supermercado Carolina, no centro de Taquarituba, a 315 km de São Paulo, a dona de casa Carla Bérgamo, 29 anos, hesita alguns segundos antes de pôr no carrinho o saquinho com um quilo de feijão por R$ 4,90. Ela observa que o preço baixou: na semana anterior estava a R$ 6. O preço equivalia ao do pacote com 5 quilos de arroz em oferta na mesma gôndola.?Feijão em casa virou luxo: é uma colherzinha por pessoa.? Carla é uma das poucas donas de casa que saíram do supermercado levando o alimento que mais subiu de preço nos últimos meses. Acumulando cerca de 150% em menos de um ano, foi o produto que mais pressionou o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), medido pela Fipe, em dezembro. Com alta de 30,45% em uma semana, o popular feijão foi acusado de alimentar a inflação.A fama cobrou seu preço: o consumidor se assustou e, na semana passada, nos campos do sudoeste paulista, a cotação da saca de 60 quilos, que chegou a R$ 280, tinha despencado para R$ 110, ou R$ 1,83 o quilo. Ali mesmo em Taquarituba, na fazenda Cateto, a 5 km do supermercado, o produtor Valmir Sérgio Mendes, de 44 anos, não conseguia desovar um estoque de quase 200 sacas recém-colhidas. ?O preço subiu demais e o feijão encalhou nas prateleiras.? Para não perder seu ganho, o comerciante não baixa o preço, mas também não vende e deixa de fazer encomendas.Além do produto paulista, entrou no mercado o feijão do norte de Minas Gerais e logo chega a produção paranaense. A nova oferta também ajudou a baixar a cotação. Nos últimos dias, a queda no valor da saca tem sido de R$ 10 por dia. ?O grão de ouro era só folheado?, comparou. Nos restaurantes de rodovias, os caminhoneiros reclamam: o tradicional carioquinha foi substituído pelo feijão-preto, mais barato. ?Feijão claro, só quando o preço baixar?, diz a atendente Regina Célio, de uma churrascaria na Rodovia Raposo Tavares, em Itapetininga. Nos supermercados da região de Sorocaba, o preço do feijão novo, carioca, oscilava entre R$ 5,60 e R$ 6. Já o feijão preto estava entre R$ 3 e R$ 3,50. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.