Feijão sobe 20,62% em São Paulo

É o maior preço desde o Plano Real, segundo o Dieese

Chico Siqueira, O Estadao de S.Paulo

07 de dezembro de 2007 | 00h00

O preço do feijão sobe 20,62% e chega a R$ 4,51 o quilo em novembro nos supermercados da cidade de São Paulo, atingindo o maior valor desde o Plano Real, segundo informou o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese). A maior cotação do produto, desde o início do Real, em 1994, havia sido em abril de 2003, quando o quilo do feijão chegou a R$ 3,78. Desde 1994, o preço variou na média de R$ 2,00 o quilo. Nos 12 últimos meses, o produto da variedade carioquinha tipo 1, o mais consumido em São Paulo, subiu 74,85% no varejo. Em outubro e novembro, a alta foi de 34,6% e influenciou no crescimento de 0,28% do Índice do Custo de Vida (ICV-Dieese) da capital paulista. A expectativa é de que os preços continuem a subir no varejo, no processo de repasse das altas do atacado. A saca de 60 quilos, que custava em média R$ 75,29 em abril, foi para R$ 172,46 em novembro, com alta de 129%. "Se o governo não importar o produto, os aumentos serão constantes e vão durar até depois do início de 2008", diz o economista José Maurício Soares, técnico do Dieese. Segundo ele, as altas ocorrem porque as condições climáticas derrubaram a safrinha de maio/junho, que repõe a safra principal do fim de ano e também foi influenciada pela redução das áreas de plantio. "A estiagem, além de prejudicar a safrinha, atrasou o plantio da safra principal, que em vez de ser colhida no começo do ano, só chegará aos mercados depois de março." De acordo com o Dieese, o problema é sentido em todo o País, onde se consome diversas variedades de feijão. "Em todas as 16 capitais medidas, o produto teve forte alta em novembro, com destaque para Aracaju, onde o reajuste foi de 80%."

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