Feira da China abre com protesto de têxteis em São Paulo

Sindicalistas do setor alegam que importações do país asiático provocam demissões em massa no Brasil

Carla Araújo, da Agência Estado,

23 de outubro de 2013 | 12h36

SÃO PAULO - Entidades e sindicatos do setor têxtil realizam nesta quarta-feira, 23, um protesto em frente ao Palácio das Convenções do Anhembi, onde acontece a abertura da GoTex Show, Feira Internacional de Produtos Têxteis.

De acordo com os organizadores do ato, denominado "Grito de Alerta", a ideia é chamar a atenção para o aumento das importações, principalmente da China e da Índia, e o consequente crescimento das demissões do setor no Brasil em virtude do fechamento de fábricas.

Os organizadores afirmam que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 55 mil trabalhadores do setor perderam o emprego desde o início do ano.

 

Provocação. Segundo a Força Sindical, por volta do meio-dia aproximadamente mil pessoas estavam concentradas no local. A Polícia Militar, porém, registrava nesse horário apenas cerca de 100 pessoas. Trabalhadores e empresários brasileiros justificaram a convocação da manifestação afirmando terem sido "provocados" por empresários chineses que escolheram para a feira o slogan "Descubra o caminho das importações dos grandes varejistas".

Para a organização da GoTex Show, no entanto, é um "equívoco" atribuir ao evento uma conotação anti-indústria nacional. Segundo Pan Faming, diretor do Grupo China Trade Center, que promove a GoTex Show, um dos objetivos da feira é justamente "fortalecer este intercâmbio que já existe entre empresas e profissionais têxteis da China e do Brasil, promovendo a troca de informação e tecnologia", afirmou, em nota.

Desindustrialização. Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Aguinaldo Diniz Filho, há muito tempo o cenário deixou de ser de competitividade entre empresas para ser de competitividade entre países. "Além de combater as importações desleais, o Brasil precisa urgentemente se tornar um país competitivo para não se desindustrializar", afirmou, em nota.

De acordo com o presidente do Sindicato da Indústria do Vestuário (Sindivestuário), Ronald Masijah, caso não sejam tomadas medidas de proteção, em até dez anos "o setor quebra, desaparece". "Não se salvará nenhuma empresa, exceto as importadoras.

Para onde irão nossos dois milhões de trabalhadores?", questiona. O protesto é organizado pela Força Sindical, Abit, Sinditêxtil-SP, Sindivestuário, Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias do Setor Têxtil, Vestuário, Couro e Calçados (Conaccovest), Sindicato da Indústria de Especialidades Têxteis do Estado de São Paulo (Sietex) e a Câmara Setorial de Máquinas e Acessórios Têxteis da Abimaq.

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