Douglas Gravas
Douglas Gravas

Greve dos caminhoneiros afeta Ceagesp e desanima comerciantes

Na feira do Pacaembu, uma das barracas vende um dos itens mais raros nos últimos dias: mamão papaya

Prsicila Mengue, O Estado de S.Paulo

26 Maio 2018 | 11h08

SÃO PAULO - O desabastecimento na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), por causa da greve dos caminhoneiros, afetou drasticamente quem vende alimentos de origem animal. Sócia de uma banca de peixes que participa da feira da Praça Charles Miller, no Pacaembu, zona oeste da cidade de São Paulo, Regina Itinosche, de 55 anos, conta que, neste sábado, 26, está com metade dos produtos que costuma vender aos sábados. “Essa noite já tinha pouca coisa no Ceasa. Ontem a gente ainda conseguiu comprar. Agora ficou mais os congelados e a gente trabalha mais com peixe fresco”, conta.

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Por isso, Regina acha que não vai conseguir trabalhar na feira neste domingo, 27, quando costuma ir para a Lapa, também na zona oeste. "Creio que não. Depende da venda. A feira hoje está fraquinha", ressaltou.

O baixo movimento desanimou os feirantes do Varejão da Ceagesp, em São Paulo. O sábado, que costuma ser o dia mais movimentado, vai ser mais curto e muitos feirantes não vieram ou foram embora antes das 12h30, quando a feira acaba. Eles estimam que metade das barracas nem abriu hoje e o movimento caiu entre 60% e 70%.

“Amanhã, nem venho”, diz o florista Edson Okita, de 43 anos, há mais de 30 na feira da Ceagesp. “Nunca vi um movimento tão fraco, a gente está ficando sem estoque e o consumidor também sumiu.”

Feira Orgânica do Modelódromo no Ibirapuera

O movimento de frequentadores e de produtores foi um pouco abaixo do normal na manhã deste sábado, 26, na tradicional Feira Orgânica do Modelódromo, realizada em frente à Praça Ayrton Senna, no Ibirapuera, zona sul da cidade de São Paulo.

Segundo relatos de permissionários, ao menos seis das mais de 30 bancas da feira não funcionam hoje. O impacto só não é maior porque a maioria dos produtores plantam na zona sul da cidade ou na região metropolitana.

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“Não tem abobrinha, chuchu e cenoura, que o meu fornecedor traz de Piedade”, conta o permissionário Kelvin Andrei Dias, de 26 anos. De acordo com ele, o fornecedor ficou temeroso de ficar preso em um bloqueio.

Além dos legumes e verduras que produz, Dias também vende outros alimentos que compra em uma distribuidora. “O estoque de lá estava menor do que o normal", diz.

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Segundo ele, a banca aumentou o preço apenas dos produtos que encareceram no fornecedor, como tomate e manga. A cebola, que costumava vender por R$ 10 agora está R$ 12. 

Já a permissionária Yumi Murakami, de 44 anos, conta que há produtores que estão presos no bloqueio. “O Sebastião está desde quinta tentando chegar, já perdeu tudo. Pra mim ainda não afetou porque sou de São Paulo e uso diesel”, relata. “O movimento só não caiu tanto porque os clientes que vem sábado são firmes e fortes.”

Nas redes sociais, o permissionário Ernesto Oyama avisou aos clientes que não pode participar hoje. “Apesar de ter rumores de que a greve acabou, até a sua normalização não conseguiremos abastecer nosso caminhão que todo sábado leva produtos direto de Parelheiros à sua mesa”, escreveu.

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Feira do Pacaembu

A banca de Luiz Souza Silva, de 49 anos, vende um dos itens mais raros nas feiras paulistanas nos últimos dias: mamão papaya. “Peguei verde (na quarta-feira) já para isso, para fazer estoque. Se não, não tinha também”, explica.

Na manhã deste sábado, ele garantiu ser o único com mamão na feira da Praça Charles Miller, no Pacaembu, zona oeste. Parte dos demais produtos que vende, como figo, abacate e limão, conseguiu comprar no Mercado Municipal, mas quase tudo mais caro do que o habitual.

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Ele relata que não tem mais estoque e que, se o desabastecimento permanecer, não poderá trabalhar já na terça-feira (não faz feira nos domingos e na segunda-feira). “Só temos para hoje.”

Já a permissionária Kelli Cardoso, de 42 anos, também no Pacaembu, conta que passou boa parte da sexta-feira atrás de gasolina para abastecer seu caminhão. “A gente vai continuar até onde for. O prejuízo que gente tem é que não vende a mesma coisa”, conta.

Já o vendedor Lucimar Teixeira da Silva, de 42 anos, explica que a banca em que trabalha tem verduras apenas porque estocou, mas, no caso das verduras, o armazenamento é limitado a alguns dias, pois são mais frágeis. O alface, por exemplo, está sendo vendido por R$ 5 em vez de R$ 3.

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