Feito para disputar mercado avaliado em US$ 50 bilhões

ANÁLISE: Roberto Godoy

O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2014 | 02h03

Grande e marrudo, com cara de briga, o KC-390 é uma mina de ouro para a Embraer - com suas 23 toneladas de carga e 35 metros de envergadura, o jato de múltiplo emprego vai disputar 15% de um rico mercado mundial estimado em pouco mais de 700 aviões dessa classe a serem encomendados por 77 países ao longo dos próximos 20 anos.

No total, significa novos negócios na faixa de US$ 50 bilhões - a Embraer contempla a possibilidade de levar US$ 7,5 bilhões desse pacote, ou mesmo US$ 10 bilhões, como disse ontem, em Gavião Peixoto, o ministro da Defesa, Celso Amorim. A empresa recebeu de clientes internacionais, cartas de intenção de aquisição de 32 KC-390.

A Força Aérea é a cliente inicial e parceira no programa. Encomendou 28 unidades e há três semanas formalizou a dotação financeira da ordem de US$ 1,9 bilhão. O compromisso vai até 2026. Na fase preliminar de desenvolvimento, foram investidos R$ 4,9 bilhões. O primeiro voo da aeronave está previsto para as próximas semanas e a primeira entrega para meados de 2016. O KC-390 vai substituir na FAB a frota dos C-130 Hércules, fabricados nos Estados Unidos.

O avião da Embraer Defesa e Segurança (EDS) tem sistemas de autodefesa como despistadores de mísseis e redutores eletrônicos do sinal que produz nos sensores da defesa antiaérea de um eventual inimigo. A cabine é tomada por grandes telas digitais, painéis móveis próprios para cada tipo de emprego, e uma ampla rede de coleta de dados.

O projeto foi anunciado há sete anos e mudou muito desde o primeiro conceito. O KC-390 que deixou o hangar de montagem é um modelo muito avançado, incorpora tecnologias que permitem que a versão cargueira básica possa ser desdobrada em várias outras: avião tanque para realizar abastecimento em voo, transporte de tropas (80 soldados em deslocamento; 64 paraquedistas prontos para lançamento), evacuação médica, busca, vigilância, combate ao fogo e transporte de veículos como o disparador de foguetes Astros ou o blindado Guarani.

Tudo o que sabemos sobre:
Embraer

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.