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Fenabrave corta previsão de vendas de veículos em 2015 pela terceira vez

Federação prevê vendas ainda menores no ano, de queda de 18,9% para 23,8%; como resultado, setor deve perder 20 mil postos de trabalho no período

Igor Gadelha, O Estado de S. Paulo

02 de julho de 2015 | 14h49

Atualizado às 16h38

SÃO PAULO - A Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) anunciou nesta quinta-feira, 2, mais uma revisão para baixo de todas as suas projeções para desempenho das vendas do setor automotivo em 2015. É a terceira revisão realizada pela entidade desde o início deste ano. E com as vendas mais fracas, a entidade já contabiliza 12 mil demissões no setor e espera ao menos 20 mil cortes até o fim do ano.

A Fenabrave espera agora que os emplacamentos totais de veículos novos deverão somar 2,662 milhões de unidades em 2015, o equivalente a queda de 23,8% ante as 3,498 milhões de unidades vendidas o ano passado. A nova previsão é bem mais pessimista do que as retrações de 18,93% estimada em abril, de 10% prevista até março e de 0,53% projetado no início do ano.

Pelas novas previsões divulgadas nesta quinta-feira, o segmento de caminhões continua sendo o que deverá ter o pior desempenho. A Fenabrave prevê que as vendas deverão cair 45% em 2015 na comparação com 2014, ao totalizarem 75.380 caminhões licenciados. Até então, as estimativas da federação eram de recuos de 41% (abril), de 10,5% (março) e de 1,2% (janeiro). 

Para o segmento de ônibus, a entidade que representa as concessionárias revisou a previsão de recuo de 21% previsto até abril e passou a prever tombo de 24% nos licenciamentos. A Fenabrave espera que, neste ano, serão emplacados 24.351 ônibus. Em janeiro, a entidade previa retração de apenas 0,7% para as vendas do segmento neste ano ante 2014. 

Já para o segmento automóveis e comerciais leves juntos, a Fenabrave projeta agora retração de 23% nas vendas neste ano, previsão pior do que as quedas de 18% estimada até abril, de 10% prevista em março e de 0,5% projetada no início de 2015. A entidade prevê que serão vendidos 2.563.126 unidades, sendo 2.127.394 automóveis e 435.731 comerciais leves. 

Vendas. A venda de veículos novos no Brasil caiu 20,67% no primeiro semestre deste ano, em relação a igual período do ano passado. De janeiro a junho de 2015, foram emplacados 1.318.985 automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, cerca de 344 mil a menos do que nos seis primeiros meses do ano passado.

Em junho deste ano, mês com 21 dias úteis de venda, os licenciamentos de veículos somaram 212.535 unidades, o que equivalente a uma retração de 19,4% na comparação com o total vendido durante o 20 dias úteis de junho do ano passado, quando as vendas já haviam sido prejudicadas pela Copa do Mundo. Na comparação com maio, também com 20 dias úteis de vendas, os emplacamentos praticamente se mantiveram estáveis em junho, ao cair apenas 0,07%.

Emprego. Como reflexo de uma dos piores desempenhos de vendas desde 2007, 492 concessionárias foram fechadas no primeiro semestre deste ano, causando a demissão de cerca de 12 mil trabalhadores, segundo o presidente da Fenabrave, Alarico Assumpção.

Segundo o dirigente, as concessionárias consideradas fechadas são aquelas que não faturaram nenhum veículo no primeiro semestre, mas que poderão reabrir no futuro.

Assumpção previu que o número de demissões poderá chegar a 20 mil trabalhadores até o final do ano, o que corresponde a aproximadamente 3% dos 410 mil funcionários que setor emprega atualmente. Até o início de maio, o executivo estimava que esse número poderia chegar a 40 mil funcionários. "Reduzimos nossas estimativas em virtude de que achamos que o ajuste grosso já ocorreu", explicou. 

Segmentos. As vendas de automóveis e comerciais leves juntos, por sua vez, caíram 19,76% no primeiro semestre deste ano frente um ano atrás, ao somarem 1.269.853 unidades. Só em junho, os emplacamentos desse segmento totalizaram 204.627 unidades, queda de 0,16% ante maio e recuo de 18,35% na comparação com o mesmo mês do ano passado. De acordo com a Fenabrave, no mês passado, foram emplacados 175.272 automóveis e 29.355 comerciais leves. 

O segmento de pesados apresentou o pior desempenho nas vendas. De janeiro a junho deste ano, os emplacamentos de caminhões e ônibus juntos recuaram 38,79% em relação a igual período de 2014, ao somarem 49.132 unidades. Desse total, 7.908 foram licenciadas em junho, o equivalente a alta de 2,24% ante maio, mas a retração de 38,88% na comparação com junho do ano passado. No mês passado, foram vendidos 6.210 caminhões e 1.698 ônibus em todo País. 

Motos e implementos. Somando motocicletas, implementos rodoviários, máquinas agrícolas e outros veículos, o total de emplacamentos no primeiro semestre foi de 2.053.114 unidades, o equivalente a queda de 17,62% na comparação com os seis primeiros meses de 2014. Só em junho, as vendas totais do setor de distribuição de veículos recuaram 1,25% na variação mensal e 14,45% na comparação anual.

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