Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Fenabrave prevê crescimento de 4,6% das vendas de veículos em 2022

Se confirmado o prognóstico, o setor chegará ao fim de dezembro acumulando 2,22 milhões de emplacamentos,

Eduardo Laguna, O Estado de S.Paulo

06 de janeiro de 2022 | 11h28

Depois do resultado modesto do ano passado - alta de 3% -, a  Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) espera por um ritmo de crescimento não muito diferente em 2022. As previsões iniciais da entidade, divulgadas nesta quinta-feira, 6 de janeiro, apontam para um crescimento de 4,6% das vendas de veículos neste ano.

Se confirmado o prognóstico, o setor chegará ao fim de dezembro acumulando 2,22 milhões de emplacamentos, entre carros de passeio, utilitários leves, caminhões e ônibus. O resultado não é o suficiente, no entanto, para o mercado voltar ao nível de antes da pandemia, já que em 2019, as vendas somaram 2,79 milhões de unidades.

Por segmento, a Fenabrave prevê avanço de 4,4% das vendas de automóveis e utilitários leves, como picapes e vans, enquanto a previsão ao mercado de caminhões é de crescimento maior: 7,3%. Já em relação às vendas de ônibus, a tendência apontada pela entidade é de crescimento de 8%.

Crescimento modesto

Balanço divulgado hoje pela Fenabrave apontou que 2021 terminou com crescimento modesto de 3% nas vendas de veículos novos no País. Entre carros de passeio, utilitários leves, caminhões e ônibus, 2,12 milhões de unidades foram emplacadas no ano passado.

A reação do setor em dezembro, o melhor mês do ano, contribuiu para 2021 fechar com algum avanço sobre o ano anterior, no qual a indústria sentiu o impacto pesado da chegada da pandemia ao País.

Ainda assim, nos últimos 15 anos, o volume só ficou acima dos pouco mais de 2 milhões de veículos vendidos tanto em 2020 quanto em 2016, ano de recessão econômica doméstica, mantendo-se distante do nível de antes da crise sanitária. Em 2019, quando a pandemia ainda não era uma realidade, o mercado fez quase 700 mil veículos a mais.

Escassez de componentes eletrônicos

Sem peças nas linhas de montagem por motivos que vão de gargalos logísticos à, e principalmente, escassez global de componentes eletrônicos, as montadoras foram obrigadas a reduzir o ritmo ou parar constantemente a produção, o que resultou numa oferta de produtos bastante restrita.

Nas contas da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), 300 mil veículos deixaram de ser produzidos no que a própria entidade considera ser a maior crise de oferta da história do setor. Mas há estimativas no mercado que apontam para mais de 500 mil unidades não vendidas durante o ano porque faltou carro no mercado.

Com estoques marcando os níveis mais baixos das estatísticas da indústria, a comercialização de veículos novos só conseguiu superar a marca mensal de 200 mil unidades em dezembro. No mês passado, conforme o balanço da Fenabrave, as vendas avançaram 19,7% contra novembro.

Na comparação com o mesmo mês de 2020, porém, houve queda de 15,1%, sendo que o volume de dezembro (207,1 mil unidades) foi o menor em vendas para o mês em cinco anos.

Segmento mais afetado pela falta de componentes eletrônicos, a venda de carros de passeio e utilitários leves, como picapes e vans, teve tímido crescimento de 1,2% em todo o ano passado.

Na indústria de caminhões, menos comprometida por gargalos de produção por consumir componentes eletrônicos em menor escala, o volume subiu 42,8%, para 127,4 mil unidades em 2021. No ano, a demanda por caminhões cresceu em razão do transporte da safra recorde de grãos.

Ao comentar os resultados, José Maurício Andreta Júnior, que assumiu a presidência da Fenabrave neste mês, classificou 2021 como “um ano complexo”. “Ainda vivemos uma crise global, de abastecimento de insumos e componentes na indústria, e novos desafios têm surgido para o setor, como os constantes aumentos nas taxas de juros, que vêm impactando nos financiamentos”, observou o executivo.

Segundo ele, o mercado de carros poderia ter sido 20% maior não fosse a irregularidade no abastecimento de peças. “A boa notícia é que, em dezembro, a indústria conseguiu finalizar muitos veículos que estavam à espera de componentes”, ponderou Andreta Júnior.

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