Feriado bancário e cambial é mantido na Argentina

O governo da Argentina anunciou ontem à noite a prorrogação do feriado bancário e cambial. Segundo apurou o enviado especial do jornal O Estado de S. Paulo, Enrique Boero Baby, a única novidade, por enquanto, é o aumento dos limites para saque de dinheiro das contas bancárias e a manutenção do confisco das aplicações a prazo fixo. No caso dos bancos, o funcionamento está restrito apenas para algumas operações, sem negócios com dólar e há algumas restrições aos pagamentos de contas. O sistema de compensação de cheques também está prejudicado e a Bolsa de Valores de Buenos Aires ainda permanecerá fechada. Há a possibilidade de que os negócios sejam retomados amanhã.Já são 20 dias úteis consecutivos de negócios paralisados na Argentina. Dois presidentes já assumiram o cargo e a crise continua profunda. Analistas estrangeiros condenam o plano que tentará reestruturar a economia do país, enquanto o Fundo Monetário Internacional (FMI) mantém-se distante. A situação é dramática e os investidores ainda estão atentos à evolução dos fatos.Fim do feriado pode provocar disparada do dólarNa volta dos negócios, os analistas temem uma corrida ao dólar, o que provocaria uma forte pressão de alta sobre as cotações da moeda. Como não há reservas internacionais suficientes para o governo intervir no mercado e o FMI não pretende apoiar o país no curto prazo, a única solução será a criação de controles. Com o caixa quebrado, eles só podem ser postos em prática na forma de restrições legais, como um congelamento de preços e depósitos, o que, já se sabe, não funciona no longo prazo.Além disso, a intensidade dos protestos populares nas últimas semanas é outro fator de risco, especialmente com a volta da inflação e forte desvalorização da moeda frente ao dólar, que corrige contratos muito comuns, como os de aluguel, mas não salários. Por isso, o governo tenta implementar isenções, como honrar os depósitos em dólar e converter as dívidas em dólar para pesos na proporção de um para um para valores até US$ 100 mil. Com o caixa quebrado não se sabe como esses privilégios serão custeados, especialmente depois da paralisação da economia nas últimas semanas, o que fez despencar a arrecadação fiscal.Mais problemas devem surgir nos próximos dias em função de dificuldades operacionais, pois todo o funcionamento da economia deve ser reformado, o que equivale a muitas de portarias, normas e resoluções, num ambiente extremamente turbulento. As previsões de analistas estrangeiros são de profunda recessão em 2002, desvalorização cambial muito maior do que o governo pretende e inflação alta. Talvez os investidores não previssem que a crise fosse ser tão grave, e os mercados brasileiros venham a sofrer algumas perdas, ainda que marginalmente. Brasil: inflação e jurosNo Brasil, ontem o anúncio da primeira prévia do mês do Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M) ficou em 0,47%, com forte pressão em um de seus componentes, o Índice de Preços ao Consumidor, de 0,59%. Esta alta do IGP-M frustra as apostas dos investidores de queda da Selic - taxa básica referencial de juros da economia - na próxima reunião mensal do Comitê de Política Monetária (Copom), no dia 23. A Selic está em 19% ao ano, e muitos consideram esse patamar elevado demais para o atual cenário econômico, que acumula boas notícias. Porém, a meta de inflação para 2002 é apertada, e uma redução nos juros, que baratearia o crédito, poderia pressionar os preços ainda mais. O resultado do IGP-M inspira cautela à autoridade monetária, já conservadora, e, junto com a instabilidade argentina, pode ser um freio para a queda dos juros.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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