Feriado bancário é suspenso no Uruguai

O governo uruguaio informou que o feriado bancário decretado nesta terça-feira pelo Banco Central será suspenso amanhã. Ao final desta tarde, o ministro da Economia, Alejandro Atchugarry, deve conceder uma entrevista à imprensa ou divulgar um comunicado para informar sobre as gestões de uma missão econômica uruguaia em Washington, onde se negocia com o Fundo Monetário Internacional (FMI) uma antecipação de pelo menos US$ 600 milhões para tentar conter a corrida bancária dos últimos dias, que fez disparar o dólar de 24 pesos, na semana passada, para 35 pesos hoje de manhã nas casas de câmbio. A decisão do BC uruguaio hoje cedo tomou de surpresa o mercado, embora fosse esperada uma medida do governo por causa da perda de reservas, que sangraram, em média, US$ 50 milhões por dia desde o início deste mês. Na sexta-feira, último dado oficial do BC, as reservas estavam em US$ 725 milhões, quase quatro vezes menor do que o volume do final do ano passado, quando estavam em US$ 3 bilhões. De acordo com fontes do Ministério de Economia, o BC não conseguiu fazer frente aos saques dos correntitas nos Bancos de Montevidéu e Caja Obrera. A medida decretada hoje interrompeu também os saques em caixas eletrônicos dos bancos. Há dois meses, o governo uruguaio conseguiu do Fundo Monetário Internacional uma ajuda adicional de US$ 1,5 bilhão, recursos que ainda não haviam sido desembolsados. Essa ajuda se soma ainda a outros US$ 743 milhões concedidos em março pelo Fundo. Ao todo, o governo do presidente Jorge Batlle receberia, entre o que resta deste ano e o próximo, cerca de US$ 3 bilhões do FMI, Banco Mundial e BID. Nem isso, porém, conseguiu frear a desconfiança dos uruguaios no sistema financeiro e na política econômica do presidente, que trocou toda a equipe econômica. Batlle vai se reunir às 17h com o ministro Atchugarry, com o presidente do Banco Central, Julio de Brun, e com o presidente do Banco República, Daniel Ciro.

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