Feriado nos EUA não dissipa nervosismo e dólar crava R$ 1,888

Cenário: Silvana Rocha

O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2011 | 03h07

O feriado de Ação de Graças nos EUA ontem reduziu a liquidez no mercado de câmbio doméstico e isso favoreceu a persistência de uma forte volatilidade do dólar na sessão, diante do cenário externo nebuloso. Além disso, o aumento expressivo no mercado de juros, à tarde, das apostas num corte de 0,75 ponto porcentual da taxa básica de juros, a Selic, para 10,75% ao ano, na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central na próxima semana, abriu espaço para o fortalecimento do dólar. Por isso, a moeda americana oscilou entre alta e queda na primeira parte dos negócios, porém, engatou o sinal positivo à tarde, quando atingiu a máxima de R$ 1,9030 (+2,15%) na meia hora final de operações no balcão. No mercado futuro, o dólar dezembro de 2011, que vencerá na próxima quinta-feira, dia 1º de dezembro, um dia depois da decisão do Copom, terminou acima de R$ 1,90, cotado a R$ 1,9010, com alta de 1,60% e um giro financeiro de US$ 14,387 bilhões - 36% inferior ao da véspera.

Nos negócios à vista, o dólar fechou com ganho de 1,34%, a R$ 1,8880 no balcão - maior valor desde 4 de outubro (quando terminou em R$ 1,8890). Com o resultado, no mês, a valorização do dólar subiu para 11,45% e, no ano, para 13,46%.

A disparada do dólar no final da sessão teria sido consequência de uma ação articulada de um grande banco local, que aparentemente reforçou posições em dólar e juros e reduziu em Bolsa, exacerbando os movimentos dos ativos, disseram operadores de câmbio. Além da expectativa de uma redução mais forte da Selic este mês, a perspectiva de piora da crise europeia e mundial pesou nas decisões de negócios. E foi reforçada pelas declarações da chanceler alemã, Angela Merkel, após o término da reunião de líderes da França, Itália e Alemanha. Merkel afirmou não ver nenhuma razão para a criação dos eurobônus, para decepção dos investidores globais.

No mercado de juros, o sentimento de que o quadro externo ainda pode piorar levou os investidores a ampliarem as fichas num afrouxamento mais agressivo da Selic. A corrente dos que esperam redução mais agressiva da Selic, de 0,75 ponto porcentual, já supera 60%. Por isso, as taxas ampliaram a queda à tarde.

A ausência dos investidores norte-americanos deixou a Bovespa sem direção, entregue à própria sorte. E, após cinco pregões no vermelho, a Bolsa teve ligeira alta de 0,56%, aos 55.279,88 pontos. O giro de R$ 2,9 bilhões foi o menor desde 4 de julho.

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