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Férias coletivas já afetam os fornecedores de peças

Só na região de Curitiba, mais de cem metalúrgicas planejam parar no período de dezembro a janeiro, por causa da interrupção nas encomendas

Evandro Fadel, Cleide Silva e Tatiana Favaro, O Estadao de S.Paulo

19 de novembro de 2008 | 00h00

A decisão de grandes indústrias de automóveis e de eletroeletrônicos de reduzir a produção e dar férias coletivas causa um efeito cascata nos fornecedores de componentes. Só na região de Curitiba (PR), onde estão instaladas a Volkswagen e a Renault/Nissan, mais de 100 metalúrgicas pretendem suspender a produção entre dezembro e janeiro. Na região de Campinas (SP), uma única empresa de eletrônicos, a Foxconn, anunciou mil demissões esta semana.Em Betim (MG), 12 fornecedores de peças suspenderam a produção por um períodos de 10 a 20 dias a partir deste mês para se adequar à queda de encomendas da Fiat, que já anunciou três períodos de férias coletivas. No ABC e em São Paulo, avisos de férias nas autopeças ainda não são significativos, informaram sindicatos locais.Pesquisa do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do Paraná (Sindimetal) indica que, das 160 filiadas, 89% pretendem dar férias coletivas de uma semana a 30 dias em dezembro e janeiro.Desse total, 75% não previam a parada porque o setor vinha de um ano e meio de crescimento. O presidente do sindicato, Roberto Karam, já prevê demissões em janeiro. "Ainda temos o degrauzinho das férias, mas a estimativa é que, até o retorno, o cenário não será diferente e isso deve gerar desemprego." Segundo Karam, durante o período de expansão, o setor ganhou 5 mil trabalhadores, que se juntaram aos outros 20 mil contratados. "Num cenário otimista, vamos voltar ao primeiro semestre de 2007."A fábrica da Volkswagen em São José dos Pinhais concedeu férias para metade dos 3,6 mil funcionários. Na mesma cidade, a Renault anunciou parada entre 2 de dezembro e 7 de janeiro. O Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba informou que, levando em conta só as autopeças, o número de empresas que anunciou férias este ano ainda é menor que o do ano passado. O Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região negociou com a Foxconn, de Indaiatuba, e o número de demissões baixou. A empresa tinha 2,9 mil funcionários, segundo o presidente da entidade, Jair dos Santos. A partir de outubro, 600 foram dispensados. "Seriam mandados embora mais mil e ficariam 1,3 mil, mas conseguimos segurar 1.740."O operador João Paulo Ferreira Lisboa trabalha há um ano e quatro meses na linha de produção e disse que o clima na empresa é desesperador. "A pressão psicológica é grande; tem gente que pede atestado para não vir trabalhar só para não ser demitido."Os reflexos da crise mundial sobre as linhas de produção significaram ao menos 4.364 demissões nas regiões de Campinas, Jundiaí e Limeira desde outubro. Um dos casos mais polêmicos ocorreu em Rio Claro (SP), onde 480 trabalhadores da autopeça Torque foram demitidos por carta. Em São José dos Campos (SP), onde a General Motors já anunciou quatro períodos de férias, ao menos duas fornecedoras de peças, a TI Automotive e a Parker Hannifin, seguirão a parada.

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