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Fernando Henrique pede "solução heróica" para a Argentina

O presidente Fernando Henrique Cardoso fez hoje uma ardorosa defesa da Argentina, pregando que seja encontrada "uma solução heróica" para salvá-los da crise. "Não podemos deixar que um país da importância da Argentina, com o potencial de crescimento efetivo que a Argentina tem, fique simplesmente à margem do sistema financeiro mundial", declarou o presidente, ao anunciar a moção de apoio que os integrantes da XII Cúpula Ibero-Americana fizeram aos argentinos na reunião de encerramento do encontro.Na nota divulgada, os presidentes ibero-americanos pedem que um acordo entre a Argentina e o Fundo Monetário Internacional (FMI) seja assinado em breve e manifestam a sua confiança de que, tão logo este apoio financeiro seja dado, será criada a base para estabilizar aquele país e impulsionar a recuperação da economia argentina. ?É preciso vencer esse círculo vicioso", disse Fernando Henrique, acrescentando que o apoio financeiro não é dado à Argentina porque eles estão inadimplentes e eles não podem se tornar adimplentes enquanto não forem socorridos. "Alguém vai ter de tomar uma decisão mais enérgica e resolver encontrar uma solução heróica para a Argentina possa superar este problema", disse o presidente, ressaltando que, quando o gerente geral do FMI, Horst Köeller, estiver no Brasil, em meados de dezembro, vai ouvir um apelo em defesa do país vizinho. "O governo americano também poderá ter um papel decisivo na decisão do que fazer com a Argentina", ponderou ele. ?Se os argentinos não tiverem apoio, eles não terão como sair da situação em que se encontram". Na opinião do presidente, certamente alguns setores da comunidade internacional estão esperando o que acontecerá em termos políticos na Argentina, no ano que vem, para decidir que tipo de ajuda darão. Para ele, isso não tem sentido, porque a ajuda tem de vir logo. "O problema não é de moratória, é que eles ficaram com o nível de reservas muito baixo para pagar seus compromissos", avisou o presidente. ?Uma coisa é, por razões políticas, não pagar; outra coisa é, por falta de recursos, dizer que está com falta de recursos e pedir ajuda para resolver o problema, que é o que a Argentina está dizendo". BrasilFernando Henrique fez questão de assegurar que a situação brasileira "é muito diferente" da argentina. "O governo brasileiro, nestes anos todos, sempre fez o que disse que faria, sempre teve uma política conseqüente, mas não teve as mesmas condições políticas que nós tivemos", destacou. Mesmo admitindo que "falta confiança política na Argentina", o presidente ressalvou que o mundo todo enfrenta problemas que não são de países como a Argentina ou como o Brasil, e sim de países centrais que estão com "aversão à liquidez". Isto significa, segundo Fernando Henrique, que há uma recessão mundial. "Há uma falta de dinamismo na economia mundial e isso agrava tudo", declarou o presidente. Para ele, não há possibilidade de o problema argentino ter maiores reflexos no Brasil. "Até agora, apesar de todas as dificuldades, o Brasil não foi afetado. Nós temos um nível de reservas extremamente elevado, um superávit surpreendente este ano e muitos outros dados positivos", ponderou. ?A economia brasileira é sólida e, em um contexto mundial de crise, nós nunca deixamos de crescer. A América Latina terá crescimento negativo este ano e o Brasil vai ter positivo. Os últimos dados da indústria no Brasil são alentadores e a agricultura cresce 8% neste ano. Então, a nossa economia está em uma situação, neste contexto, mais sólida". O presidente ainda disse ter confiança que, "qualquer que seja a seleção, o time do novo governo, a sociedade brasileira mostrará os problemas e eles vão ter de reagir".

Agencia Estado,

16 de novembro de 2002 | 18h59

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